
O Centro Católico de Cultura da Diocese de Vila Real saúda cordialmente todos os visitantes. Estamos ao serviço da Igreja em ordem à formação permanente dos cristãos. Além de divulgarmos as iniciativas que vamos tomando para a evangelização e aprofundamento da fé, estaremos atentos às notícias e expressões culturais do tempo em que vivemos, procurando promover um verdadeiro e frutuoso diálogo entre a fé e a cultura. Boa visita. O responsável, Padre Manuel da Silva Coutinho
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
MENSAGEM DE BOAS FESTAS DE NATAL À DIOCESE
Caros Diocesanos, que acreditais no Filho de Deus, desejo-vos
Feliz Natal do Senhor e um Ano Novo cheio de bênçãos, peço que sejais fiéis a
Cristo, eviteis o fermento pagão que troca a fé cristã por ídolos e bugigangas,
caindo no hedonismo, na indiferença e no eclipse de Deus, como cidadãos dum mundo
cruel, sem esperança e desorientado.
1.-No Ano da Fé exorto-vos
a reconhecer as razões de crer na Encarnação, que revela o mistério de Deus Uno
e Trino e “Jesus Cristo, Filho Unigénito
de Deus, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo e nasceu
da Virgem Maria”. Um hino conta
assim o Natal de Jesus: “do seio da
Virgem Maria nasceu a divina graça, o Verbo entrou e saiu, por ela, como o sol,
pela vidraça”. Natal e Páscoa celebram o início e a novidade do Filho de
Deus, feito homem, morto e ressuscitado, o qual, na Páscoa, pelo poder do Pai e
do seu Espírito, glorificou a humanidade assumida, no seio virginal de Maria, pelo
poder do Espírito Santo. Celebremos o mistério do Filho feito carne, sendo mais
solidários, respeitadores e amigos dos outros e patrocinadores do bem comum.
2.- Há que fugir do Natal pagão, frustrante e sem coração, obra
do eclipse de Deus, da indiferença, relativismo e secularismo que reduzem a fé à
esfera privada, trocando-a pelo hedonismo, sem ascese, simplicidade, amor e solidariedade.
Não reduzir o Natal a futilidades, dominados por intuitos de expulsar Deus do mundo
e corroer a fé cristã na Encarnação do Filho de Deus. Há que dar ao Menino Deus
o lugar que Lhe pertence, para Ele nos seduzir e guiar na prática das obras de
misericórdia, na solidariedade e promoção do bem comum e no respeito das pessoas,
por causa dais quais o Filho de Deus nasceu, se fez homem, passou pela terra
fazendo o bem, morreu e ressuscitou.
Impregnados do espírito do mundo, da vil comercialização de
sentimentos e atitudes e do paganismo desenfreado, os cristãos, inconscientes, vão
a reboque e toque de caixa, como rebanho de encolhidos, indiferentes e complacentes,
manobrados, pela opinião pública dominante, voltando as costas à verdade e
grandeza do Evangelho, enterrando a luz de Cristo, envergonhando-se d’Ele,
dando razão ao que já Freud dizia: “os
cristãos são um rebanho de mal baptizados, que vivem e praticam um politeísmo
bárbaro”.
3.- Na grave situação económica e na crise de valores transcendentes,
há que apostar no conhecimento e trabalho em rede, cientes do que celebramos e da
missão do Filho de Deus que encarnou, se fez um de nós, procurando dar razão da
esperança que d’Ele provém e para Ele se dirige, neste mundo desumano,
desorientado, triste e sem alma.
É tempo de apostar na moderação, escolha e sequela do
essencial, na ajuda mútua e abertura ao próximo, na procura do bem comum, na
apreciação dos valores perenes da verdade, justiça, liberdade, respeito mútuo e
solidariedade humana. Há que abrir os olhos, ver o próximo, com coração, acabar
com a injustiça e socorrer os necessitados.
4. – Natal e Páscoa são festas do Senhor e centros dos ciclos
litúrgicos da Encarnação e Redenção. Ressurreição e Nascimento Virginal, pelo
poder do Espírito Santo, são duas novidades inefáveis do Filho de Deus que, na
Encarnação, no seio virginal de Maria, assume a nossa humanidade e na Ressurreição
a glorifica e entroniza à direita do Pai. O Natal e a Páscoa devem converter-se
em pulmões que nutrem a piedade, alimentam a
esperança e a caridade e são a razão de ser do nosso íntimo viver e crer
em Cristo.
A Igreja celebra o Natal de Jesus, exorta à conversão e alegria
de servir, dando a vida, como o Senhor da Vida e Filho de Deus o fez, ao
nascer, morrer e ressuscitar, por nós. A mensagem de paz e alegria dos Anjos
aos Pastores é Palavra à espera de ser ouvida, assimilada e vivida, para produzir frutos de boas obras.
Com ardentes e fervorosos votos, na alegria de Deus Menino e
da Virgem Imaculada que O deu à luz, Vos saúda e Vos deseja um Feliz Natal o
Vosso amigo e irmão bispo.
Vila Real, Festa da Imaculada Mãe do Filho de Deus, 8 de
Dezembro de 2012
+ Amândio José Tomás, bispo de Vila Real.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
CREIO EM JESUS CRISTO, FILHO DE DEUS
O Símbolo dos Apóstolos, depois
de proclamar a fé da Igreja em Deus Pai e Criador, continua expressando a mesma
fé “em Jesus Cristo, seu único
Filho, nosso Senhor”. Tanto nesta versão do Credo como no Símbolo
de Niceia-Constantinopla, a
parte que se refere ao Filho é a mais longa. Nela são repassados os mistérios
da incarnação de Jesus Cristo (que foi concebido pelo poder do Espírito
Santo; nasceu da Virgem Maria), da sua acção
salvadora e redentora (padeceu sob Pôncio
Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos;
ressuscitou ao terceiro dia) e da sua glorificação
e poder de julgar (subiu aos Céus;
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, de onde há-de vir a julgar os
vivos e os mortos).
Estes mistérios
da vida de Cristo e da sua acção em favor da humanidade são celebrados ao longo
de todo o ano, mas podemos também situá-los nos principais tempos e festas
litúrgicas: a incarnação, no Natal;
a acção salvadora e redentora, no
Tríduo Pascal; a glorificação e poder de
julgar, na Ascensão e também na solenidade de Cristo Rei.
Em
pleno Ano da Fé, neste tempo do Advento que nos conduz ao Natal, somos
convidados a aprofundar de modo especial o mistério da incarnação do filho de Deus: quem é Jesus Cristo, porque é que Ele
se fez homem, que veio fazer a este mundo, o que significa a palavra incarnação (ou encarnação)? O Catecismo da Igreja Católica (CIC) responde:
«Dado pelo Anjo no momento da Anunciação, o nome “Jesus” significa “Deus salva”.
Exprime a sua identidade e a sua missão, “porque é Ele que salvará o seu povo
dos seus pecados” (Mt 1,21). Pedro afirma que “não existe debaixo do céu
outro Nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos” (Act 4,12)»
(Compêndio do CIC, n.º 81).
«“Cristo” em grego, “Messias”
em hebraico, significa “ungido”. Jesus é o Cristo porque é consagrado por Deus,
ungido pelo Espírito Santo para a missão redentora. Ele é o Messias esperado
por Israel, enviado ao mundo pelo Pai. Jesus aceitou o título de Messias, precisando
porém o seu sentido: “descido do céu” (Jo 3,13), crucificado e depois
ressuscitado, Ele é o Servo Sofredor “que dá a sua vida em resgate pela
multidão” (Mt 20,28). Do nome Cristo é que veio para nós o nome de cristãos»
(Compêndio do CIC, n.º 82).
«O Verbo fez-Se carne para
nos salvar, reconciliando-nos com Deus» (CIC, n.º 457); «O Verbo fez-Se carne,
para que assim conhecêssemos o amor de Deus» (n.º 458); «O Verbo fez-Se carne, para ser o
nosso modelo de santidade» (n.º
459); O Verbo fez-Se carne, para nos tornar «participantes da
natureza divina» (n.º 460) (cf.
Compêndio do CIC, n.º 85).
«A Igreja chama ‘Encarnação’ ao mistério da admirável união da natureza
divina e da natureza humana na única Pessoa divina do Verbo. Para realizar a
nossa salvação, o Filho de Deus fez-se ‘carne’ (Jo 1,14) tornando-se
verdadeiramente homem. A fé na Encarnação é o sinal distintivo da fé cristã»
(Compêndio do CIC, nº 86; cf. CIC, n.º 461).
Neste tempo, reflectimos
também sobre o significado da sua primeira
vinda e da segunda, a que chamamos Parusia,
em que Ele virá com toda a sua glória julgar os vivos e os mortos. A este
propósito, convido os leitores a ler (ou a reler) as reflecções sobre o Advento
publicadas no blogue DUC IN ALTUM (http://maranus2005.blogs.sapo.pt/),
uma que tem por título O Advento
convida-nos à esperança (6 de Dezembro de 2009) e a outra com o título As três vindas de Cristo (22 de Dezembro
de 2009).
Na solenidade do Natal,
na Missa do Dia, escutaremos, não a narração do nascimento de Jesus conforme
vem relatado nos Evangelhos de São Mateus e de São Lucas, mas o belíssimo
prólogo do Evangelho de são João (Jo 1, 1-18), que numa linguagem profundamente
teológica, nos diz quem é este Jesus Cristo que nós adoramos como Filho de
Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Procuremos escutar com atenção
esse texto, meditando bem nas suas palavras. Será uma das melhores formas de
vivermos e celebrarmos o mistério do Natal do Senhor.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
ENCONTROS DO ANO DA FÉ EM VILA REAL
Serões com sabor a fé, tendo como tema os documentos do Concílio e o Catecismo da Igreja Católica
Quartas-feiras, 21h00, no Auditório do Centro Católico de Cultura - Seminário de Vila Real
14 de Novembro: Creio na vida eterna
Ressurreição e Vida Eterna
No início do mês de Novembro, a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos e comemora os Fiéis Defuntos. Aproveitei estarmos a viver este tempo litúrgico para restringir o tema do nosso encontro (A Vida Eterna) a duas questões: a Ressureição e o Purgatório.
A escolha da Ressureição deve-se às dificuldades e incompreensões que esta levanta, hoje em dia, nos meios católicos. Também escolhi o tema do Purgatório por estarmos no «mês das almas», tempo em que se coloca a questão da permanência e da transformação dos laços que nos unem aos que já partiram.
Todavia, não se pode abordar estes dois temas sem refletir no Mistério Pascal da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ele é a única chave de compreensão e por isso será a primeiro ponto do nosso encontro.
Jesus Cristo, o primogênito dentre os mortos (cf. Col 1,18) é o fundamento da nossa esperança de que a vida é mais forte que a morte. A Ressureição de Cristo é um foco de luz que ilumina a vida dos crentes e subverte o sentido da morte porque a partir dela, da Ressureição, a vida e a morte de Cristo entendem-se como uma vida e morte para nós.
Se Cristo não ressuscitou, diz Paulo, a pregação dos Apóstolos é vã (1 Cor 15,14.17). Paulo chama ao Ressuscitado "primícias" dos que morreram. O que aconteceu com Cristo é o penhor e a garantia do que acontece com os crentes. "Eu sou a ressurreição e a vida: quem crê em mim, ainda que morra, viverá" (João 11:25).
A melhor resposta poderia ser esta: o corpo é simultaneamente o mesmo e outro.
A pessoa humana é criada por Deus como uma unidade indivisível de corpo e alma. Esperamos a sua reunificação final no último dia, para além da separação física que acontece na morte. Se o corpo é uma parte integral da pessoa humana, uma ressurreição plenamente pessoal deve envolver o corpo e a alma.
Desde São Paulo, na Carta aos Coríntios, até à teologia pós-conciliar e passando pela Soma Teológica de São Tomás de Aquino, a Tradição Católica tenta pensar essa continuidade e essa rutura.
Para São Gregório de Nissa, por exemplo, a alma dá ao corpo uma forma distinta e, tal um carimbo ou um selo, configura o corpo. É pelo meio dessa impressão que o corpo expressa o caráter espiritual da pessoa. Durante a nossa vida terrena, os componentes físicos do nosso corpo mudam várias vezes, mas na medida em que a forma impressa pela alma tem uma continuidade que não é afetada por essas mudanças físicas, podemos realmente dizer que nosso corpo permanece o mesmo. Há uma continuidade corporal genuína dada pela alma.
Na ressurreição, diz São Gregório, a alma vai cunhar o nosso corpo ressuscitado com o mesmo selo com que foi cunhado nesta vida. Não é necessário que os mesmos fragmentos materiais sejam reunidos; o mesmo selo é suficiente para que o corpo seja o mesmo. Entre o nosso corpo presente e o nosso corpo ressuscitado, haverá, de fato, verdadeira continuidade, contudo essa continuidade não deve ser interpretada de forma materialista.
No entanto, se o corpo é o mesmo na ressurreição, também será diferente. Como diz São Paulo: "Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual" (1 Cor 15,44). "Espiritual" aqui não deve ser interpretada como " não material ". O corpo ressuscitado será sempre um corpo material, mas, ao mesmo tempo, será transformado pelo poder do Espírito, e assim ficará livre de todos os limites da materialidade tal como a conhecemos hoje. Conceber as características dessa matéria assumida pelo Espírito está para além do poder da nossa imaginação. «O que nós seremos ainda não foi revelado» (1 Jo 3:2).
3. A Ressurreição dos que já partiram - o Purgatório e o Corpo Glorioso de Cristo
A tradição da Igreja e o testemunho do Antigo e do Novo Testamentos dizem-nos que a oração pelos mortos é uma expressão de fé que permite aos vivos afirmar que a morte física não é o fim da vida, que há sempre algo para além da morte física (Jo 11, 25-26).
A oração é dirigida a Deus, por todos os mortos cuja fé só Deus conhece (Oração Eucarística IV) por isso não se trata aqui de orar para influenciar a decisão de Deus acerca dos que morrem.
A oração pelos mortos é uma expressão de solidariedade entre os vivos e os mortos, através do único Mediador que é Jesus. Para o cristão tudo é vivido na fé em Jesus Cristo, nada há que possa ser excluído dessa fé, nem mesmo a memória do falecido, cuja vida não é "destruída", mas transformada.
Os laços tecidos entre os crentes, na participação do Corpo e Sangue de Cristo nunca são quebrados pela morte. A oração pelos mortos, permite-nos reavivar esses laços. O fundamento dessa expressão de fé está na Ressurreição de Cristo e na Comunhão dos Santos realizada em Cristo.
Para além dos autores já citados pode-se consultar:
Comisión Teológica Internacional, algunas cuestiones actuales de escatología, 1992
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_cti_1990_problemi-attuali-escatologia_sp.html
Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, carta sobre algumas questões respeitantes à escatologia,1977
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19790517_escatologia_po.html
Henrique Oliveira
Ressurreição e Vida Eterna
Algumas
considerações sobre as coisas do fim.
No início do mês de Novembro, a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos e comemora os Fiéis Defuntos. Aproveitei estarmos a viver este tempo litúrgico para restringir o tema do nosso encontro (A Vida Eterna) a duas questões: a Ressureição e o Purgatório.
A escolha da Ressureição deve-se às dificuldades e incompreensões que esta levanta, hoje em dia, nos meios católicos. Também escolhi o tema do Purgatório por estarmos no «mês das almas», tempo em que se coloca a questão da permanência e da transformação dos laços que nos unem aos que já partiram.
Todavia, não se pode abordar estes dois temas sem refletir no Mistério Pascal da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ele é a única chave de compreensão e por isso será a primeiro ponto do nosso encontro.
1.
A
Ressurreição de Cristo – um foco de luz
Para um cristão, a vida após a
morte não é um mito, é uma realidade. É pela fé na Ressurreição de Jesus Cristo
que podemos alcançar uma resposta para as perguntas sobre o sentido último da
vida. Em Jesus de Nazaré algo de absolutamente novo e impensável realizou-se:
"Ele ressuscitou! Ele não está aqui "(Mc 16,6).Jesus Cristo, o primogênito dentre os mortos (cf. Col 1,18) é o fundamento da nossa esperança de que a vida é mais forte que a morte. A Ressureição de Cristo é um foco de luz que ilumina a vida dos crentes e subverte o sentido da morte porque a partir dela, da Ressureição, a vida e a morte de Cristo entendem-se como uma vida e morte para nós.
Se Cristo não ressuscitou, diz Paulo, a pregação dos Apóstolos é vã (1 Cor 15,14.17). Paulo chama ao Ressuscitado "primícias" dos que morreram. O que aconteceu com Cristo é o penhor e a garantia do que acontece com os crentes. "Eu sou a ressurreição e a vida: quem crê em mim, ainda que morra, viverá" (João 11:25).
2.
A
Ressurreição dos Corpos - O que é que ressuscita?
Tal como os coríntios, não
conseguimos deixar de nos interrogar sobre a forma de como a ressurreição é
possível. Qual é a relação entre o nosso corpo atual e o corpo da nossa
ressurreição? Teremos o mesmo corpo ou um corpo diferente?A melhor resposta poderia ser esta: o corpo é simultaneamente o mesmo e outro.
A pessoa humana é criada por Deus como uma unidade indivisível de corpo e alma. Esperamos a sua reunificação final no último dia, para além da separação física que acontece na morte. Se o corpo é uma parte integral da pessoa humana, uma ressurreição plenamente pessoal deve envolver o corpo e a alma.
Desde São Paulo, na Carta aos Coríntios, até à teologia pós-conciliar e passando pela Soma Teológica de São Tomás de Aquino, a Tradição Católica tenta pensar essa continuidade e essa rutura.
Para São Gregório de Nissa, por exemplo, a alma dá ao corpo uma forma distinta e, tal um carimbo ou um selo, configura o corpo. É pelo meio dessa impressão que o corpo expressa o caráter espiritual da pessoa. Durante a nossa vida terrena, os componentes físicos do nosso corpo mudam várias vezes, mas na medida em que a forma impressa pela alma tem uma continuidade que não é afetada por essas mudanças físicas, podemos realmente dizer que nosso corpo permanece o mesmo. Há uma continuidade corporal genuína dada pela alma.
Na ressurreição, diz São Gregório, a alma vai cunhar o nosso corpo ressuscitado com o mesmo selo com que foi cunhado nesta vida. Não é necessário que os mesmos fragmentos materiais sejam reunidos; o mesmo selo é suficiente para que o corpo seja o mesmo. Entre o nosso corpo presente e o nosso corpo ressuscitado, haverá, de fato, verdadeira continuidade, contudo essa continuidade não deve ser interpretada de forma materialista.
No entanto, se o corpo é o mesmo na ressurreição, também será diferente. Como diz São Paulo: "Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual" (1 Cor 15,44). "Espiritual" aqui não deve ser interpretada como " não material ". O corpo ressuscitado será sempre um corpo material, mas, ao mesmo tempo, será transformado pelo poder do Espírito, e assim ficará livre de todos os limites da materialidade tal como a conhecemos hoje. Conceber as características dessa matéria assumida pelo Espírito está para além do poder da nossa imaginação. «O que nós seremos ainda não foi revelado» (1 Jo 3:2).
3. A Ressurreição dos que já partiram - o Purgatório e o Corpo Glorioso de Cristo
A tradição da Igreja e o testemunho do Antigo e do Novo Testamentos dizem-nos que a oração pelos mortos é uma expressão de fé que permite aos vivos afirmar que a morte física não é o fim da vida, que há sempre algo para além da morte física (Jo 11, 25-26).
A oração é dirigida a Deus, por todos os mortos cuja fé só Deus conhece (Oração Eucarística IV) por isso não se trata aqui de orar para influenciar a decisão de Deus acerca dos que morrem.
A oração pelos mortos é uma expressão de solidariedade entre os vivos e os mortos, através do único Mediador que é Jesus. Para o cristão tudo é vivido na fé em Jesus Cristo, nada há que possa ser excluído dessa fé, nem mesmo a memória do falecido, cuja vida não é "destruída", mas transformada.
Os laços tecidos entre os crentes, na participação do Corpo e Sangue de Cristo nunca são quebrados pela morte. A oração pelos mortos, permite-nos reavivar esses laços. O fundamento dessa expressão de fé está na Ressurreição de Cristo e na Comunhão dos Santos realizada em Cristo.
Para além dos autores já citados pode-se consultar:
Comisión Teológica Internacional, algunas cuestiones actuales de escatología, 1992
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_cti_1990_problemi-attuali-escatologia_sp.html
Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, carta sobre algumas questões respeitantes à escatologia,1977
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19790517_escatologia_po.html
Henrique Oliveira
28 de Novembro: História da catequese
14 de Dezembro: Apresentação de "Jesus de Nazaré - A infância de Jesus"
2 de Janeiro: Lumen Gentium
23 de Janeiro: Gaudium et Spes
20 de Fevereiro: Dei Verbum
6 de Março: Sacrossantum Concilium
20 de Março: Catecismo da Igreja Católica
Abertos a todos os que quiserem aprofundar a sua fé.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
ESTA É A NOSSA FÉ - I
Da Sagrada
Escritura, dos Padres da Igreja, dos documentos do Magistério e da vida de
muitos que para nós são modelo de fé e de vida cristã, iremos colhendo citações
e ensinamentos que nos ajudem a aprofundar a nossa fé.
É mais um
contributo para a vivência do Ano da Fé. Publicamos hoje o primeiro texto,
sobre o Símbolo da fé (o Credo):
«Na instrução e
profissão da tua fé, abraça e conserva sempre só aquela que a Igreja agora te
entrega e que é fundamentada em toda a Escritura. Nem todos podem ler a
Escritura, uns porque não sabem e outros porque estão demasiadamente ocupados.
Por isso, a fim de que ninguém pereça por causa da ignorância, resumimos todo o
dogma da fé nos poucos versículos do Símbolo.
Conserva em tua
memória estas palavras tão simples que ouves agora, e a seu tempo buscarás na
Escritura o fundamento de cada um dos artigos. Este símbolo da fé não foi
composto segundo o parecer dos homens; as verdades que ele contém foram seleccionadas
entre os pontos mais importantes de toda a Escritura e resumem toda a doutrina
da fé. E assim como a semente da mostarda, apesar de ser um grão tão pequeno,
contém em gérmen muitos ramos, também o símbolo da fé condensa em breves
palavras o núcleo de toda a revelação contida tanto no Antigo como no Novo
Testamento».
(Das Catequeses de São Cirilo de Jerusalém,
bispo – século IV)
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
CREIO EM DEUS, CREIO NA SUA PALAVRA
Iniciamos a publicação de uma série de artigos que têm como finalidade
ajudar-nos a viver este Ano da Fé. Como nos diz o Santo Padre, ele «será uma ocasião
propícia para introduzir a totalidade da estrutura eclesial num tempo de
particular reflexão e redescoberta da fé» (Carta Apostólica Porta Fidei [Porta da Fé], n.º 4). Com
tudo o que ao Ano da Fé está associado (50.º aniversário da abertura do
Concílio Vaticano II, 20.º aniversário da publicação do Catecismo da Igreja
Católica, realização em Outubro do Sínodo sobre A nova evangelização para a transmissão da fé cristã), temos à
nossa disposição um grande manancial no qual podemos beber em cada dia deste
ano a água viva e sempre fresca da descoberta e seguimento de Cristo.
Antes de mais, convém lembrar
que ter fé implica acreditar em algo ou alguém. Porém, não se trata apenas de
acreditar na existência de qualquer ser, mas em apostar tudo em quem (ou
naquilo que) se acredita. Assim, ter fé em Deus é acreditar que Ele existe e
n’Ele encontramos a razão de ser e o sentido para a nossa vida.
Sabemos tudo isto porque Ele
próprio no-lo deu a conhecer, revelando-se, intervindo na nossa história e
enviando o seu Filho ao mundo. É o que nos recorda a Epístola aos Hebreus: “Muitas vezes e de muitos modos, falou Deus
aos nossos pais, nos tempos antigos, por meio dos profetas. Nestes dias, que
são os últimos, Deus falou-nos por meio do Filho...” (Heb 1, 1-2). E por
que motivo é que Deus se quis revelar? Responde-nos o Catecismo da Igreja
Católica (CIC): “Revelando-se a si mesmo,
Deus quer tornar os homens capazes de lhe responderem, de o conhecerem e de o
amarem, muito para além de tudo o que seriam capazes por si próprios” (CIC,
n.º 52).
Os cristãos também acreditam
que Jesus Cristo é o Verbo (a Palavra) que se fez homem e habitou entre nós (cf. Jo 1, 14), para nos
dar a conhecer quem é o verdadeiro Deus e provar o seu amor por nós dando a
vida na cruz e ressuscitando. A morte e ressurreição de Jesus constituem o
acontecimento mais importante da nossa salvação. Numa síntese antiquíssima que encontramos
na 1.ª carta aos Coríntios, S. Paulo diz o seguinte: “Lembro-vos, irmãos, o evangelho que vos anunciei, que vós recebestes,
no qual permaneceis firmes e pelo qual sereis salvos, se o
guardardes tal como eu vo-lo anunciei; de outro modo, teríeis acreditado em
vão. Transmiti-vos,
em primeiro lugar, o que eu próprio recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados,
segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao
terceiro dia, segundo as Escrituras”
(1Cor 15, 1-4). Na celebração da Eucaristia, os cristãos continuam a professar
esta mesma verdade de fé. Depois da consagração, ao convite que lhe dirige o
Presidente (“Mistério da fé!”), o
povo responde com a aclamação: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte,
proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”.
Além dos testemunhos bíblicos
da fé no Deus revelado por Jesus Cristo, ao longo dos tempos a Igreja foi
formulando outros resumos das
verdades da nossa fé. O Catecismo da Igreja Católica (Compêndio), no n.º 34,
pergunta quais são os mais antigos símbolos da fé. E responde: «São os
Símbolos baptismais. Porque o Baptismo é administrado <em nome do Pai
e do Filho e do Espírito Santo> (Mt 28,19), as verdades de fé neles
professadas estão articuladas segundo a sua referência às três Pessoas da
Santíssima Trindade».
A fórmula de
profissão de fé que nós conhecemos melhor, porque a repetimos na Eucaristia de
cada domingo, é o Credo. Existem duas formas de o rezar. A mais breve é
conhecida como o Símbolo dos Apóstolos, “assim chamado porque
se considera, com justa razão, o resumo fiel da fé dos Apóstolos. É o antigo
símbolo baptismal da Igreja de Roma. A sua grande autoridade vem-lhe deste
facto: «É o símbolo adoptado pela Igreja romana, aquela em que Pedro, o
primeiro dos Apóstolos, teve a sua cátedra, e para a qual ele trouxe a
expressão da fé comum»” (CIC, n.º 194; Compêndio, n.º 35).
Eis o texto do Símbolo
dos Apóstolos:
Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra
E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;
nasceu da Virgem Maria;
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
desceu à mansão dos mortos;
ressuscitou ao terceiro dia;
subiu aos Céus;
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
de onde há-de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo;
na santa Igreja Católica;
na comunhão dos Santos;
na remissão dos pecados;
na ressurreição da carne;
e na vida eterna. Amen.
A forma mais longa é a que nós usamos habitualmente na Missa
dominical. Chama-se Símbolo de Niceia-Constantinopla
e “deve a sua grande autoridade ao facto de ser
proveniente desses dois primeiros concílios ecuménicos (dos anos de 325 e 381).
Ainda hoje continua a ser comum a todas as grandes Igrejas do Oriente e do
Ocidente” (CIC, n.º 195; Compêndio, n.º 35).
Neste
Ano da Fé, ao rezarmos o Credo, na forma longa ou na mais breve, pensemos bem
nas verdades de fé que professamos. E durante o mês de Novembro, o mês das almas, peçamos a Deus que
reavive e fortaleça a nossa fé na ressurreição e na vida eterna.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
VIVER O CONCÍLIO HOJE
Estamos nestes
dias a comemorar os cinquenta anos da abertura do Concílio Vaticano II. O Papa
quis associar esta comemoração à celebração do Ano da Fé, que também agora se
inicia. E também agora se iniciou o Sínodo dos Bispos, que tem por tema a nova
evangelização.
A
hipótese de reconciliação com os grupos cismáticos tradicionalistas seguidores
de Marcel Lefebvre, em que Bento XVI tanto se empenhou (e que por estes dias se
soube não se vai concretizar para já), tem como condição inultrapassável a
aceitação por estes do magistério do Vaticano II, que João Paulo II definiu
como «uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa»,
cujos textos «não perderam o seu valor, nem a sua beleza».
Na
Carta apostólica relativa ao Ano da Fé,
Bento XVI afirma: «…se lermos e recebermos, guiados por uma justa hermenêutica
(nos sentido de “interpretação”), o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais
uma grande força para a renovação sempre necessária da Igreja». Esta alusão à “justa
hermenêutica” relaciona-se com um seu célebre discurso à Cúria romana de 2005,
em que o Papa apresenta a “hermenêutica da reforma” como a linha correcta de
interpretação dos textos do Concílio: não como uma ruptura com o magistério
anterior (como se o Espírito Santo só tivesse assistido a Igreja a partir do
Concílio), mas como um aperfeiçoamento e aprofundamento desse magistério, que
se torna, assim, sempre vivo e adequado aos tempos actuais.
Muitas são as
luzes inovadoras com que o Vaticano II enriqueceu a Igreja dos nossos dias:
desde o reconhecimento da liberdade religiosa à unidade de todos cristãos e ao
diálogo inter-religioso; ou à redescoberta da riqueza da Sagrada Escritura,
antes esquecida em muitos ambientes católicos (a primeira comunidade do
Movimento dos Focolares, era acusada por alguns ambientes tradicionais de
Trento, antes do Concílio, de “protestantismo”, por dar grande relevo à vida do
Evangelho).
Outra dessas
luzes foi a valorização da missão dos leigos na Igreja e na renovação cristã da
sociedade, dantes muitas vezes subalternizados como se fossem um “proletariado
espiritual” (uma espécie de terceira divisão, em, termos futebolísticos), na
expressão usada por Igino Giordani, político e intelectual italiano. Frutos do
Concílio são vários movimentos laicais, que floresceram de uma forma que alguém
comparou a “uma primavera” ou “um novo Pentecostes”.
Uma outra
dessas novidades diz respeito à relação da Igreja com o mundo contemporâneo. Os
concílios anteriores da história da Igreja normalmente surgiam para condenar
heresias. A uma postura de julgamento e condenação, de combate e defesa,
sucede-se uma postura de abertura, compreensão, diálogo e serviço. As palavras
iniciais da Gaudium st Spes são
suficientemente elucidativas a respeito desta nova atitude. A Igreja procura identificar-se
(poderíamos dizer: “fazer-se um”) com os homens e as mulheres do nosso tempo:
«As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso
tempo, sobretudo dos pobres e dos aflitos, são também as alegrias e as
esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo, e nada existe
de verdadeiramente humano que não encontre eco no seu coração». A Gaudium et Spes sublinha os auxílios e
contributos da Igreja para o mundo contemporâneo (nºs 41 a 43), mas também a
ajuda que deste recebe (n. 44), pois está atenta aos sinais de Deus que através
deste lhe podem chegar (os chamados sinais
dos tempos). De entre estes sinais, destaca o do caminho em direcção à
unidade: «A Igreja reconhece tudo o que há de bom no dinamismo social dos
nossos dias, sobretudo o movimento para a unidade, o processo duma sã
socialização e da associação civil e económica. Com efeito, promover a unidade
está de acordo com a missão profunda da Igreja, pois ela é “em Cristo como que
o sacramento ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de
todo o género humano”» (n. 42).
Pediram-me
recentemente para analisar as relações entre a Igreja e a sociedade portuguesa
nos últimos cinquenta anos, precisamente à luz das novidades que trouxe o
Concílio no plano das relações entre a Igreja e o mundo contemporâneo. Como só
tenho experiência directa dos tempos mais recentes (porque também eu fiz há
pouco cinquenta anos, como o Concílio), detive-me na análise dessa relação
nestes tempos mais recentes.
Em
resumo, parece-me poder dizer que há campos em que a sociedade portuguesa, de
forma alargadamente consensual, incluindo os seus sectores culturalmente mais
influentes, reconhece o contributo positivo da doutrina e da acção da Igreja.
São sobretudo os relativos à justiça social e ao combate à pobreza. Neste
âmbito, e particularmente em tempos de crise como o actual, respeita-se e
reconhece-se a autoridade de quem está próximo dos pobres e de quem mais sofre,
de quem conhece esses sofrimentos e procura debelá-los, e também sabe ser
consciência crítica a respeito das opções e caminhos que temos seguido. Neste
campo, de um modo geral, reconhece-se que a Igreja pretende servir, mais do que
dominar ou impor uma sua doutrina, na linha para que claramente aponta o
Concílio. Na sensibilidade espontânea perante as injustiças sociais, podemos
descobrir o reflexo das raízes cristãs da nossa cultura portuguesa, que estão
presentes mesmo em quem não se identifica como católico (às vezes até mais
acentuadamente do que em quem se identifica como católico).
Penso que,
mesmo assim, algumas reservas se impõem a esta minha conclusão sobre o
reconhecimento da mensagem e acção da Igreja no âmbito da justiça social e do
combate à pobreza.
Não podemos
ignorar que a atenção aos alertas da Igreja (em tempos como o actual, mas
também noutras alturas) corre o risco de ser instrumental e de depender de
estratégias políticas. A atenção é maior quando se está na oposição e isso
serve para denunciar políticas do governo em funções (ora um, ora outro), mas é
menor quando as posições se invertem. Por outro lado, a atenção é maior nestas
matérias, mas menor (ou torna-se mesmo hostilidade), noutras, igualmente
importantes na perspectiva do magistério ético – social da Igreja, como
sublinharei de seguida.
E também me
parece importante advertir para o seguinte.
Não me parece
suficiente que se reconheça o papel da Igreja como uma espécie de “almofada” ou
“amortizador” que, com a sua ampla rede de instituições de solidariedade social,
lá está para atenuar os estragos provocados pela dureza supostamente inevitável
das opções de política económica. Mais do que isso, mais do que reduzir esses
danos, seria importante enfrentá-los na sua raiz. Mais do que tentar apagar fogos,
seria importante preveni-los e evitá-los. Mais do que recorrer a um lenitivo,
seria importante evitar e combater a doença. E para isso, seria importante
outra atenção ao magistério social da Igreja nas próprias opções de política
económica e social, o que levaria a questionar essa suposta inevitabilidade de
algumas opções.
Com estas
reservas, parece-me de sublinhar o eco positivo que tem tido, e poderá
continuar a ter, na sociedade portuguesa a mensagem da Igreja no campo da
justiça social. Recordo, a este respeito, e só a título de exemplo, as palavras
de apreço pela Caritas in Veritate
dos dirigentes da C.I.P. e da C.G.T.P. numa conferência organizada pela
Comissão Nacional Justiça e Paz no ano passado.
Por contraste
com este eco, não podemos deixar de atender a matérias em que as políticas
legislativas e a opinião culturalmente dominante (que nuns casos coincide com a
autêntica opinião da maioria das pessoas; mas noutros não, pois se trata da
opinião de minorias mais influentes) se têm afastado notoriamente da doutrina e
da mensagem da Igreja. São aqueles temas que nos habituámos a designar como fracturantes: a defesa da vida nas sua
fases inicial e terminal, questões várias de bioética (a questão recente da
maternidade de substituição, por exemplo), a defesa da família, a partir da sua
própria definição (já não se fala, por isso, em família, mas em famílias).
Nestes campos, deve claramente falar-se em perda de influência da Igreja na
sociedade portuguesa. Não será descabido identificar aqui os sinais mais
evidentes dessa perda de influência. A Igreja vê-se a remar sozinha contra a
maré, a defender valores e modelos que parecem definitivamente ultrapassados.
Neste quadro,
tem sentido, relembrar a postura inovadora de abertura e diálogo com o mundo
contemporâneo do Concílio e, em particular, da Gaudim et Spes ? Não poderemos ser tentados a pensar que não vale a
pena essa abertura, porque a Igreja se aproximou do mundo contemporâneo de
braços abertos e este, afinal, dela se afastou ainda mais?
Parece-me que,
a este respeito, são de rejeitar por igual duas atitudes.
Uma, a de
esquecer ou desvalorizar estes temas, que se tornam incómodos porque dividem
(porque são fracturantes) e porque
insistir na defesa dos princípios tradicionais afastaria a Igreja do mundo
contemporâneo, contra o que pretende o Concílio. Haveria que acentuar apenas,
ou prevalentemente, aquilo que mais se conforma ao “espírito do tempo”, porque
assim se favorece o diálogo.
Outra, a de
considerar superada a postura de abertura e diálogo com o mundo contemporâneo e
assumir uma atitude mais enérgica, de defesa e combate, à imagem do que se
verificava antes do Concílio.
São duas
atitudes que encontram eco em diferentes sensibilidades no âmbito interno da
Igreja e também em diferentes expectativas a respeito do sentido das
intervenções da hierarquia, incluindo, naturalmente, a da Igreja portuguesa.
Já se tem tido
que a visão do Concílio a respeito do mundo contemporâneo é demasiado optimista
ou ingénua e que a evolução posterior veio a tornar injustificado tal
optimismo. Provavelmente, os Padres Conciliares, ao exaltarem as virtudes do
progresso técnico próprio da modernidade, não imaginariam onde se chegaria
cinquenta anos depois quanto aos riscos de abusos e manipulação no âmbito da
bioética. Noutro âmbito, não imaginariam que desse progresso pudesse resultar uma
crise ecológica como a que vivemos hoje. Não imaginariam que a difusão do
aborto chegasse onde chegou. Não imaginariam onde chegaria a crise da família,
com o tão grande generalização do divórcio (um para cada dois casamentos). Não
imaginariam certamente que viesse a pretender-se redefinir o casamento. Quando
se falava em excesso de população, não imaginariam que cinquenta anos depois fosse,
pelo contrário, a queda da natalidade o mais grave dos problemas para muitas
sociedades.
Mas a visão
dos Padres Conciliares não é ingénua ou excessivamente optimista. Depois de
enaltecer o valor da actividade humana e do desenvolvimento (que correspondem à
vontade de Deus), a Gaudium et Spes (n.
37) relembra que essa actividade está corrompida pelo pecado: «A Sagrada
Escritura, com a qual está de acordo a experiência dos séculos, ensina à
família humana que o progresso humano, que é um grande bem para o homem, traz
consigo uma grande tentação: uma vez perturbada a hierarquia dos valores e
confundindo o mal com o bem, os indivíduos e as colectividades só consideram os
interesses próprios, e não os dos outros»; «De facto, trava-se ao longo de toda
a história humana uma árdua batalha contra os poderes das trevas, a qual,
começada na origens do mundo durará, como diz o senhor, até ao último dia»;
«Por isso, a Igreja de Cristo, confiando no desígnio do Criador, enquanto
reconhece que o progresso humano pode servir para a verdadeira felicidade do
homem, não pode deixar de se fazer eco da voz do Apóstolo: Não vos conformeis com o tempo presente (Rm 12, 2), isto é, com
aquele espírito de vaidade e malícia que transforma a actividade humana,
ordenada pelo serviço de Deus e do homem, em instrumento de pecado».
Ao caracterizar
o mundo contemporâneo, a Gaudium et Spes (n.
9) realça as suas luzes, mas também as suas sombras: «o mundo moderno aparece,
ao mesmo tempo, poderoso e fraco, capaz do melhor e do pior, enquanto na sua
frente se rasga o caminho da liberdade ou da escravidão, do progresso ou da
regressão, da fraternidade ou do ódio».
A Igreja não
seria fiel à sua missão, nem serviria o mundo de hoje como pretende o Concílio,
se, em nome de uma falsa e inconsistente busca de consenso, se demitisse de
alertar para retrocessos que representam a destruição de um precioso legado
civilizacional que é fruto da mensagem cristã. Pode fazê-lo sozinha, pode
“clamar no deserto” ou “remar contra a corrente”. Mas não pode deixar de o
fazer. Se não for ela a fazê-lo, ninguém o fará. Muitos acabarão por reconhecer
nessa sua obstinação um verdadeiro serviço, talvez quando se aperceberem a que
consequências pode chegar a destruição desse legado. Dou-vos apenas um exemplo.
Um artigo
publicado recentemente numa influente revista de ética médica, que se tornou
famoso e suscitou grande polémica, veio afirmar a legitimidade da morte
intencional de crianças recém-nascidas quando elas possam representar um fardo
para os seus pais ou a sociedade. Seria assim porque entre o feto e o
recém-nascido não há diferenças substanciais, um e outro não têm o estatuto de
pessoas porque não têm capacidade de dar valor à sua existência (é claro que
esse valor existe, mesmo quando os seus titulares dele não têm consciência,
pois é precisamente quando, pela debilidade associada à idade, à doença ou
deficiência, o ser humano não tem sequer a consciência do valor da sua
existência que mais se justifica o cuidado dos outros e a protecção da ordem
jurídica). Esta tese suscitou vivo repúdio, porque com ela é atingido um
precioso legado civilizacional ainda bem vivo, que é fruto da revolução cristã
e estava ausente na antiguidade pagã, onde se aceitava o infanticídio e o
abandono de recém-nascidos. Mas é uma tese que é decorrência lógica do
princípio que conduz à pretensa legitimação do aborto (por isso, os seus
autores falam em aborto pós-natal). Se
não houver quem, com constância e desassombro, como vem fazendo a Igreja, ponha
em causa esse princípio, vemos, por aqui, onde se pode chegar.
Ser fiel ao
magistério do Concílio não nos leva, pois, a ignorar estes temas, nem a ocultar
a verdade em nome do diálogo e da caridade (senão esta, tornar-se-ia, como diz
a Caritas in Veritate (n. 3), « um invólucro vazio que se pode
encher arbitrariamente»).
Mas isso
também não significa que há que “cerrar fileiras” como se não tivesse havido o
Concílio, esse grande dom do Espírito Santo à Igreja, o acontecimento mais
relevante da sua história no último século.
Significa
antes, por um lado, privilegiar o anúncio sobre a denúncia. Significa, que mais
do que dizer “não” (e mesmo que, muitas vezes, se imponha fazê-lo), há que
dizer “sim”, porque a mensagem de Jesus e da Sua Igreja é um “sim”, mais do que
um “não”. Significa que mais do que denunciar ataques à vida e à família,
importa exaltar a beleza da vida e da família. Pode servir-nos de exemplo a
postura do Papa Bento XVI que nas suas viagens, por vezes em contextos de
acesas polémicas, antes de tudo, enaltece a beleza da fé e da vida que dela
brota. E reside aí o segredo que explica o sucesso de visitas com prognósticos
tão reservados à partida (sucedeu assim entre nós).
Por outro
lado, a mais eloquente e convincente (talvez mesmo irrefutável) das mensagens é
a que passa pelo testemunho. Já Paulo VI dizia que a época contemporânea escuta
mais facilmente os testemunhos do que as lições dos mestres. E afirmou Bento
XVI aos bispos portugueses em Fátima, há dois anos: «O apelo corajoso e
integral aos princípios é essencial e indispensável; todavia a mera enunciação
da mensagem não chega ao mais fundo do coração da pessoa, não toca a sua
liberdade, não muda a vida. Aquilo que fascina é sobretudo o encontro com
pessoas crentes que, pela sua fé, atraem para a graça de Cristo dando
testemunho d’Ele.»
Recordo a propósito um episódio que se passou
comigo há uns meses atrás.O cardeal Ennio Antonelli, presidente do Conselho
Pontifício para a Família esteve entre nós há alguns meses atrás e apresentou
na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa uma conferência sobre a Familiaris Consortio que se integrava
num colóquio sobre “família e direito” a propósito do trigésimo aniversário da
publicação desta exortação apostólica. Consciente das distância entre o modelo
de família aí apresentado e o actual direito de família de quase todas as
nações, e da própria realidade sociológica da família hodierna, usou uma imagem
de João Paulo II para sublinhar que não podemos desistir de apontar a esse
modelo: devemos ajudar as pessoas a “subir a montanha pelo seu pé” e não tentar
“abaixar a montanha”. Quando o fui cumprimentar em nome de um movimento de
famílias que ela conhece bem, respondeu prontamente: «deveríeis ser vós a
falar, e não eu, a apresentar o vosso testemunho, provando, assim, que é
possível a vida da família proposta pela Familiaris
Consortio».
A este ponto,
e a propósito de testemunho, tenho de confessar que não estou a respeitar
integralmente o pedido que me fez o Sr. Pe. Manuel Coutinho quando me convidou
para vir falar-vos. Pediu-me ele que desse sobretudo um testemunho vivencial,
mais do que uma lição teórica. No fundo para, mais do que dizer como se deve
viver o Concílio hoje, dissesse como procuro eu viver o Concílio hoje. Vou,
então, respeitar agora o pedido que me foi feito, dando-vos alguns exemplos de
como procuro pôr em prática algumas das ideias de que vos falei.
Falei-vos da
valorização do papel dos leigos na Igreja e no mundo (já não um “proletariado
espiritual” ou uma “terceira divisão”).
Como cristão
leigo, sinto que sou chamado a iluminar e animar com o espírito do Evangelho o
âmbito social em que trabalho. Cada um de vós será chamado a fazer o mesmo no
seu âmbito, talvez bastante diferente do meu. De qualquer modo, é-nos lançado
um desafio nem sempre fácil, porque não temos nenhum livro de receitas sobre
como se faz isso (embora a doutrina social da Igreja nos sirva de ajuda) e
temos de ser nós a descobri-lo.
Sou juiz há
vários anos, trabalhei durante alguns desses anos como formador de futuros
magistrados, quase sempre na área criminal.
Tenho
reflectido e estudado a questão da reacção ao crime e dos fins das penas
criminais numa perspectiva cristã. No âmbito dessa reflexão e desse estudo li
um livro muito interessante de um teólogo evangélico (Christopher Marshall)
sobre essa questão (Beyon Retribution A
New Testament Vision for Justice, Crime and Punishment, Eerdmann, Grand
Rapids, Cambridge, 2001) que começa por dizer logo no início desse livro (p. 1)
que «o crime é uma das áreas do comportamento humano mais difíceis de lidar
numa perspectiva cristã».
Também no
âmbito dessa reflexão e desse estudo, muitas vezes tenho presente as palavras
de João Paulo II na sua mensagem para o dia mundial da paz de 2002 sobre a
justiça e o perdão. Diz o Beato João Paulo II nessa mensagem que a justiça e o
perdão não são termos opostos ou alternativos, mas complementares. « (…) o
perdão opõe-se ao rancor e à vingança, não à justiça. Na realidade, a
verdadeira paz é « obra da justiça » (Is 32, 17). (…) Mas, como a
justiça humana é sempre frágil e imperfeita, porque exposta como tal às
limitações e aos egoísmos pessoais e de grupo, ela deve ser exercida e de certa
maneira completada com o perdão que cura as feridas e restabelece em
profundidade as relações humanas transtornadas. Isto vale tanto para as
tensões entre os indivíduos, como para as que se verificam em âmbito mais
alargado e mesmo as internacionais. O perdão não se opõe de modo algum à
justiça, porque não consiste em diferir as legítimas exigências de reparação da
ordem violada; mas visa sobretudo aquela plenitude de justiça que gera a tranquilidade
da ordem, a qual é bem mais do que uma frágil e provisória cessação das
hostilidades, porque consiste na cura em profundidade das feridas que sangram
nos corações. Para tal cura, ambas, justiça e perdão, são essenciais.»
O desafio com
que me deparo e de que vos falei é, então, o de concretizar estas ideias da
mensagem de João Paulo II.
É claro que
não posso obrigar as vítimas de crimes a perdoar os criminosos. É minha
obrigação “fazer justiça” e esta não se opõe ao perdão, é um seu pressuposto.
Mas só a reconciliação e o perdão permitem restabelecer plenamente aquela
harmonia que foi quebrada pela prática do crime. O meu papel é, então, o de
abrir as portas a essa reconciliação, facilitando-a (sem a impor, porque não a
posso impor) e não a dificultando. Como é que o tenho feito?
Em muitas
situações, o processo-crime pode terminar com uma desistência de queixa
associada a alguma forma de reparação material e moral. Tive algum sucesso nas
tentativas que fazia e (quando era formador) explicava aos meus formandos que
me parecia residir o segredo desse sucesso no esforço que eu fazia de me
identificar plenamente com a situação e o sofrimento das duas partes (sentir
este como “meu”), sem nunca o desvalorizar o sofrimento da vítima, para a qual
aquele processo seria o único quando para mim seria um entre muitas centenas.
Para além da
reconciliação entre agente do crime e vítima, há a da reconciliação entre o
agente do crime e a sociedade. Nessa perspectiva, a nossa lei favorece penas
alternativas à pena de prisão, pois esta não favorece a inclusão social do
agente do crime, antes acentua a sua exclusão e marginalização sociais. Por
vezes, porém essas penas são encaradas como reflexo de algum laxismo que não se
coaduna com a necessária afirmação da gravidade dos crimes em causa.
Neste
contexto, desde há vários anos tenho procurado aplicar a pena de prestação de
trabalho a favor da comunidade, estudando as suas vantagens e dificuldades de
aplicação e partilhando (quando era formador) os frutos dessa minha experiência
e desse meu estudo com os meus formandos. Quando comecei a trabalhar, esta pena
era pouco aplicada (na altura, fui até convidado para a apresentar num vídeo de
divulgação sobre ela, por ser dos poucos juízes que a aplicava), mas agora já
não é assim.
E porque é que
me parece que esta pena tem grandes virtualidades? Precisamente porque, sem
deixar de condenar o crime, de fazer com o que o condenado “salde a sua dívida”
para com a sociedade (por isso, tem de trabalhar, com o que isso tem de penoso),
não o exclui, não o estigmatiza (como faz a prisão), mas o valoriza como pessoa
útil, permitindo, assim, restabelecer aquele laço entre ele a comunidade que a
prática do crime quebrou. Concilia-se, assim, a justiça, o castigo, com a
reconciliação entre o criminoso e a comunidade. Ao mal do crime responde-se não
com outro mal (como é próprio da vingança), mas com um bem, um trabalho
socialmente útil.
Também como
cristão leigo, fui descobrindo que Deus me chama a iluminar com a luz dos
valores evangélicos não apenas o meu campo de actuação profissional, mas também
a chamada “opinião pública” e os debates sobre questões éticas com reflexos na
legislação. De cada vez que surge algum desses debates na sociedade portuguesa
(o aborto, a eutanásia, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, etc.), procuro estudar a questão e tenho
escrito alguns textos sobre o tema em causa, textos que procuro divulgar de
várias formas, quanto mais não seja pela a internet
(através da qual se chega hoje a muita gente). Para além da internet, tenho tido ecos dessas minhas
ideias na imprensa da Igreja. Mas é claro que o meu objectivo é chegar a outra
imprensa de difusão mais larga, para além da imprensa da Igreja (lida por
pessoas normalmente já convencidas, ainda que sempre necessitadas de
esclarecimento). Nesse âmbito mais largo da imprensa, é mais difícil penetrar.
O meu esforço tem sido o de preservar com paciência e nunca desistir: envio
muitos artigos para publicação sobre temas de actualidade, que exigem trabalho
e estudo, mas que nem sempre são publicados. Mas nunca desisto e já fico
contente quando é publicado um entre quatro que envio.
Esses temas são os chamados temas fracturantes a que acima me referi,
temas polémicos, que dividem. Como também disse acima, viver o espírito do Concílio
Vaticano II, que convida ao diálogo com o mundo contemporâneo não significa
fugir a estes temas por serem temas polémicos e que nos colocam contra a corrente. O que procuro fazer é
ser fiel à verdade e à caridade, distinguindo o erro da pessoa que erra, condenado o erro sem deixar de respeitar e amar a pessoa que erra. Quando intervim em debates sobre o aborto, aquando dos
referendos, procurei fazê-lo pensando sempre na hipótese de me estar a escutar
alguma mulher que tenha cometido um aborto, evitando ser ofensivo para com ela.
Também fiquei particularmente feliz quando, a propósito da discussão sobre a
legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo alguém sugeriu que fossem
enviados os meus textos como resposta a umas pessoas de orientação homossexual
que se sentiam pessoalmente ofendidas com alguma argumentação, precisamente
porque esses textos não seriam ofensivos.
À luz do que
acima vos disse sobre a importância de pôr em relevo o anúncio mais do que a
denúncia, a beleza da fé cristã mais do que a condenação dos erros do mundo
contemporâneo, aquilo a que dizemos “sim” mais do que aquilo a que dizemos não,
tenho procurado não limitar os meus escritos e intervenções a esses temas
polémicos. Dou-vos apenas um exemplo.
Um filme de
que muito gostei de ver, precisamente porque é revelador da beleza da fé cristã
(um filme que muitos de vós conhecerão e que recomendo a quem não conheça), foi
o filme Dos homens e dos deuses,
sobre um grupo de monges trapistas franceses assassinados na Argélia. Depois de
o ver, resolvi escrever um comentário com a minha impressão e divulguei,
através da internet, esse meu
comentário entre o maior número de pessoas, incluindo os meus colegas de
trabalho. Ao ler esse meu comentário, um desses meus colegas foi ver o filme e
esse facto gerou entre nós um muito frutuoso diálogo sobre o conteúdo do filme,
que envolve temáticas espirituais a que normalmente são alheias as conversas
entre colegas. Encontrei, assim, um pretexto para evangelizar de uma forma
discreta e bem acolhida.
Bom, estes são
apenas alguns exemplos de como procuro viver a minha vocação de cristão leigo à
luz da mensagem do Concílio Vaticano II, aquela mensagem que é para nós, como
disse no início citando o Beato João Paulo II, a “bússola segura para nos orientar
no caminho do século que agora começa”.
Vila Real, 12 de Outubro de 2012
Pedro Vaz Patto
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
VIVER O CONCÍLIO HOJE
O Centro Católico de Cultura informa os seus alunos e a todos em geral que a sessão solene de início das actividades da Escola Diocesana de Educação da Fé será no próximo dia 12 de Outubro, às 21h30.
Para nos ajudar a viver o Ano da Fé, haverá uma conferência a cargo do Doutor Pedro Vaz Patto, com o título "Viver o Concílio hoje". Estão previstos ainda alguns momentos artístico-musicais. Todos estão convidados.
As aulas prosseguirão no seu ritmo normal todas as sextas-feiras (em Vila Real) e terças-feiras (em Chaves), conforme o horário já publicado.
Juntamos alguns dados biográficos do conferente:
As aulas prosseguirão no seu ritmo normal todas as sextas-feiras (em Vila Real) e terças-feiras (em Chaves), conforme o horário já publicado.
Juntamos alguns dados biográficos do conferente:
Pedro Maria Godinho Vaz Patto
Casado, pai de quatro filhos
Juiz desembargador no Tribunal da Relação do Porto
Foi, durante nove anos, docente no Centro de Estudos Judiciários
É vogal da Comissão Nacional Justiça e Paz
Editorialista da revista Cidade Nova
Colabora regularmente com o jornal Voz da Verdade (do Patriarcado de Lisboa) e com a Rádio Renascença
Casado, pai de quatro filhos
Juiz desembargador no Tribunal da Relação do Porto
Foi, durante nove anos, docente no Centro de Estudos Judiciários
É vogal da Comissão Nacional Justiça e Paz
Editorialista da revista Cidade Nova
Colabora regularmente com o jornal Voz da Verdade (do Patriarcado de Lisboa) e com a Rádio Renascença
Obras publicadas:
No Cruzamento do Direito e da Ética, Almedina, 2008
Casamento entre Pessoas do Mesmo Sexo - Porque Não, Aletheia, 2009.
No Cruzamento do Direito e da Ética, Almedina, 2008
Casamento entre Pessoas do Mesmo Sexo - Porque Não, Aletheia, 2009.
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