sábado, 17 de janeiro de 2015

OITAVÁRIO DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

INTRODUÇÃO AO TEMA PARA O ANO DE 2015

Jesus lhe disse: Dá-me de beber! 
(João 4,7)

1. Quem bebe desta água…
Viagem, sol escaldante, cansaço, sede… “Dá-me de beber!” É um pedido de toda pessoa humana! Deus, que se fez gente em Cristo e se esvazia para compartilhar nossa humanidade (Fl 2, 6-7), é capaz de pedir à mulher samaritana: “Dá-me de beber!” (Jo 4,7). Ao mesmo tempo, esse Deus que vem ao nosso encontro oferece a água viva: “ A água que eu lhe darei se tornará uma fonte que jorrará para a vida eterna.” (Jo 4,14)
O encontro entre Jesus e a mulher samaritana nos convida a experimentar água de um poço diferente e também a oferecer um pouco da nossa própria água. Na diversidade, nos enriquecemos uns aos outros. A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é um momento privilegiado para oração, encontro e diálogo. É uma oportunidade para reconhecer a riqueza e o valor que estão presentes no outro, no diferente, e para pedir a Deus o dom da unidade.
“Quem bebe desta água sempre volta” – diz um provérbio brasileiro, utilizado quando uma pessoa que nos visita vai embora. Um copo refrescante de água, chimarrão, tereré são sinais de acolhimento, diálogo e convivência. O gesto bíblico de oferecer água a quem chega (Mt 10,42), como forma de acolhida e partilha, é algo que se repete em todas as regiões do Brasil.
O estudo e a meditação propostos neste texto para a Semana de Oração têm o objetivo de ajudar as pessoas e comunidades a perceber a dimensão dialogal do projeto de Jesus, que chamamos de Reino de Deus. O texto afirma a importância de uma pessoa conhecer e compreender sua própria identidade para que a identidade do outro não seja vista como uma ameaça. Se não nos sentimos ameaçados, estaremos capacitados para experimentar o outro como algo complementar: sozinha, uma pessoa ou uma cultura não se basta! Por isso, a  imagem que emerge das palavras “dá-me de beber” é algo que nos fala de complementaridade: beber água do poço de alguém é o primeiro passo para experimentar o modo de ser do outro. Isso leva a uma partilha de dons que nos enriquece. Quando os dons do outro são recusados, há prejuízo para a sociedade e para a Igreja.
No texto de João 4, Jesus é um estrangeiro que chega cansado e com sede. Ele precisa de ajuda e pede água. A mulher está na sua própria terra; o poço pertence a seu povo, à sua tradição. Ela é dona do balde e é ela que tem acesso à água. Mas ela também está com sede. Eles se encontram e esse encontro oferece uma inesperada oportunidade para ambos. Jesus não deixa de ser judeu porque bebeu água oferecida por uma mulher samaritana. A samaritana permanece sendo ela mesma ao acolher o caminho de Jesus. Quando reconhecemos que temos necessidades recíprocas, a complementaridade acontece em nossas vidas de modo mais enriquecedor. Esse “Dá-me de beber” nos impulsiona a reconhecer que pessoas, comunidades, culturas, religiões e etnias precisam umas das outras.
Dizer “Dá-me de beber” supõe que Jesus e a Samaritana se perguntam mutuamente sobre aquilo de que têm necessidade. Dizer “Dá-me de beber”, leva-nos a reconhecer que as pessoas e as populações na sua diversidade, as comunidades, as culturas e as religiões têm necessidade uns dos outros.
“Dá-me de beber” traz consigo uma ação ética que reconhece a necessidade que temos uns dos outros na vivência da missão da Igreja. É algo que nos impele a mudar nossa atitude, a nos comprometer com a busca da unidade no meio de nossa diversidade, através de nossa abertura para uma variedade de formas de oração e espiritualidade cristã.


REFLEXÕES BÍBLICAS E ORAÇÕES PARA OS OITO DIAS
DIA 1
PROCLAMAÇÃO
Era preciso que atravessasse a Samaria (João 4,4)

 Gênesis 24,10-33   Abraão e Rebeca no poço
 Salmo 42    A corça que anela pelas correntes de águas
 2 Coríntios 8,1-7     A generosidade das igrejas da Macedônia
 João 4,1-4   Era preciso que atravessasse a Samaria

Comentário
Jesus e seus discípulos viajaram da Judéia para a Galiléia. A Samaria fica entre essas duas áreas. Havia um certo preconceito contra a Samaria e os samaritanos. A reputação negativa da Samaria vinha de sua mistura de raças e religiões. Não era incomum usar caminhos alternativos para evitar pisar  em território samaritano.
O que o Evangelho de João quer expressar, quando diz que “era preciso que atravessasse a Samaria”? Mais do que uma questão geográfica, trata-se de uma escolha de Jesus. “Passar pela Samaria” significa que é necessário ir ao encontro do outro, do diferente, daquele que é muitas vezes visto como uma ameaça.
O conflito entre judeus e samaritanos era antigo. Os antepassados dos samaritanos tinham quebrado laços com a monarquia do sul, que exigia a centralização do culto em Jerusalém (1 Reis 12). Mais tarde, quando os assírios invadiram a Samaria, deportando grande parte da população local, eles trouxeram para o território uma quantidade de estrangeiros, cada um com seus próprios deuses ou divindades (2 Reis 17,24-34). Para os judeus, os samaritanos se tornaram um povo “misturado e impuro”. Mais tarde no Evangelho de João, os judeus, querendo desmoralizar Jesus, acusam-no dizendo: “ Não temos nós razão ao dizer que tu és um samaritano e um possesso?” (João 8,48)
Os samaritanos, por sua vez, também tinham dificuldade para aceitar os judeus (Jo 4,8). A ferida do passado tornou-se ainda maior quando, cerca do ano 128 aC, o líder judeu, João Hircano, destruiu o templo construído pelos samaritanos como lugar de culto no monte Gerazin. Pelo menos em uma ocasião, relatada no Evangelho de Lucas, Jesus não foi recebido numa cidade samaritana simplesmente porque estava a caminho da Judéia (Lc 9,52). Assim, a resistência ao diálogo vinha dos dois lados.
João deixou claro que “atravessar a Samaria” é uma escolha que Jesus está fazendo; ele está indo além do seu próprio povo. Com isso ele está mostrando que, quando nos isolamos daqueles que são diferentes e nos relacionamos apenas com os que são iguais a nós, estamos impondo a nós mesmos um empobrecimento. É o diálogo com os diferentes que nos faz crescer.
Questões
  • 1. O que significa para mim e para minha comunidade de fé “ter que atravessar a Samaria”?
  • 2. Que passos minha Igreja tem dado para ir ao encontro de outras Igrejas e o que as Igrejas têm aprendido umas com as outras?
Oração
Deus de todos os povos,
ensina-nos a atravessar a Samaria 
para ir ao encontro de nossos irmãos e irmãs de outras Igrejas.
Leva-nos até lá com um coração aberto
para que possamos aprender com toda Igreja e cultura.
Proclamamos que és a fonte da unidade.
Dá-nos a unidade que Cristo deseja para nós.
Amém.

DIA 2
DENÚNCIA I
Cansado da viagem, Jesus estava assim sentado na borda do poço (João 4,6)

 Gênesis 29,1-14 Jacó e Raquel na beira do poço
Salmo 137Como cantar um canto do Senhor em terra estrangeira?
1 Coríntios 1.10-18Cada um de vós fala assim: Eu sou de Paulo. Eu, de Apolo
João 4,5-6   Jesus estava cansado de sua viagem.

Comentário
Jesus tinha estado na Judéia antes de seu encontro com a mulher samaritana. Os fariseus tinham começado a espalhar a idéia de que  Jesus batizara mais discípulos do que João. Talvez esse tipo de  conversa tenha causado alguma tensão e desconforto. Talvez tenha sido essa a razão da decisão de Jesus de ir embora.
Chegando ao poço, Jesus resolve parar. Estava cansado de sua viagem. Sua fadiga poderia também ter algo a ver com o que estavam dizendo sobre ele. Enquanto descansava, uma mulher samaritana se aproximou do poço para tirar água. Esse encontro aconteceu no poço de Jacó: um lugar simbólico para a vida e a espiritualidade do povo da Bíblia.
Começa um diálogo entre a mulher samaritana e Jesus sobre o lugar onde se deveria adorar . “É na montanha ou em Jerusalém?” pergunta a mulher samaritana. Jesus responde: “nem na montanha nem em Jerusalém... os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade pois são esses os adoradores que o Pai procura”. (Jo 4, 21-24)
Ainda acontece que, em vez de uma busca comum da unidade, a competição e a disputa sejam uma característica do relacionamento entre Igrejas. Isso tem sido a experiência vivida no Brasil em anos recentes. Comunidades exaltam suas próprias virtudes e os benefícios que aguardam seus adeptos a fim de atrair novos membros. Alguns pensam que quanto maior for a Igreja, mais numerosos os seus membros e maior o seu poder, mais perto estarão de Deus, apresentando a si mesmos como os únicos adoradores verdadeiros.  Como resultado, tem havido  violência e desrespeito a outras religiões e tradições. Esse tipo de marketing competitivo cria tanto a desconfiança entre as Igrejas como uma falta de credibilidade na sociedade em relação ao cristianismo como um todo. À medida que cresce a competição, a “outra” comunidade se torna o inimigo.
Quem são os verdadeiros adoradores? Verdadeiros adoradores não permitem que a lógica da competição – quem é melhor e quem é pior – contamine a fé. Precisamos de “poços” para nos apoiar, para descansar e abandonar as disputas, a competição e a violência, lugares onde possamos aprender que verdadeiros adoradores adoram “em Espírito e Verdade”.
Questões
  • 1. Quais são os maiores motivos de competição entre nossas Igrejas?
  • 2. Somos capazes de identificar um “poço” comum no qual possamos nos apoiar e descansar de nossas disputas e competições?
Oração
Generoso Deus,
freqüentemente nossas Igrejas são levadas a escolher a lógica da competição.
Perdoa nosso pecado de presunção.
Estamos cansados dessa necessidade de estar em primeiro lugar.
Deixa-nos descansar no poço.
Refresca-nos com a água da unidade que vem da nossa oração em comum.
Que o teu Espírito, que pairou sobre as águas do caos,
nos traga unidade na nossa diversidade.
Amém.

DIA 3 DENÚNCIA II
Eu não tenho marido (João 4,17)

 2 Reis 17,24-34  Samaria conquistada pela Assíria
 Salmo 139,1-12 Senhor, tu me perscrutastes e me conheces
 Romanos 7,1-4 Fostes mortos em relação à lei pelo corpo de Cristo
 João 4,16-19 Eu não tenho marido

Comentário
A mulher samaritana responde a Jesus: “Eu não tenho marido.” O assunto da conversa agora é a vida conjugal da mulher. Há uma mudança de termos no conteúdo do diálogo – da água para o marido: “Vai, chama o teu marido e volta aqui” (Jo 4,16). Mas Jesus sabe que a mulher tinha tido cinco maridos e que o homem que ela tem agora não é seu marido. Qual é a situação da mulher? Seu marido pediu divórcio? Ela era viúva?  Tinha filhos?  Essas perguntas surgem naturalmente quando lidamos com essa narrativa. No entanto, parece que Jesus estava interessado em outra dimensão da situação da mulher; ele tem conhecimento da vida da mulher mas permanece aberto a ela, vai ao seu encontro. Jesus não insiste numa interpretação moral da resposta dela, mas parece querer conduzi-la para além disso. E, como resultado, a atitude da mulher em relação a Jesus muda. A essa altura, os obstáculos de diferenças culturais e religiosas ficam para trás para dar espaço a algo muito mais importante: um encontro em confiança. O comportamento de Jesus nesse momento nos permite abrir novas janelas e levantar outras questões: questões que desafiam as atitudes que desmoralizam e marginalizam mulheres e também questões sobre as diferenças que permitimos que se coloquem  como bloqueio no caminho da unidade que buscamos e pela qual oramos.
Questões
  • 1. Quais são as estruturas de pecado que podemos identificar em nossas comunidades?
  • 2. Qual é o lugar e o papel das mulheres em nossas comunidades?
  • 3. O que podem fazer as nossas Igrejas para prevenir  e superar a violência contra mulheres e meninas?
Oração
Tu que estás em todas as coisas,
como podemos te chamar por qualquer outro nome?
Que canção poderíamos cantar para Ti?
Palavras não podem te descrever.
Que espírito pode te perceber?
Nenhuma inteligência pode te compreender.
Só Tu  não podes ser descrito;
tudo que de Ti é dito vem de Ti. 
Só Tu estás além do que podemos conhecer; 
tudo o que sabemos vem de Ti.
Todas as criaturas Te proclamam, as que falam e as que são mudas.
Todos te desejam, todos suspiram e aspiram por Ti.
Tudo o que existe ora para Ti,
e todo ser que pode contemplar teu universo dedica a Ti um hino silencioso.
Tem piedade de nós, tu que estás além de todas as coisas.
Como te poderíamos chamar por qualquer outro nome?
Amém.

(Atribuído a Gregório Nazianzeno)
DIA 4
 RENÚNCIA
A mulher então abandonou o cântaro (João 4,28)

 Gênesis 11,31-12,34  Deus promete fazer de Abraão uma grande nação e uma bênção
 Salmo 23 O Senhor é meu pastor
 Atos 10,9-20   Não te atrevas a chamar imundo o que Deus tornou puro
 João 4,25-28  A mulher então abandonou o cântaro

Comentário
O encontro entre Jesus e a mulher samaritana mostra que o diálogo com o diferente, o estranho, o que não é familiar pode ser promotor de vida. Se a mulher tivesse seguido as regras da sua cultura, ela teria ido embora quando viu Jesus se aproximando do poço. Naquele dia, por alguma razão, ela não seguiu as regras estabelecidas. Tanto ela como Jesus quebraram os padrões convencionais de comportamento. Através dessa ruptura eles nos mostraram de novo que é possível construir novos relacionamentos.
Assim como Jesus completa o trabalho do Pai, a mulher samaritana, por sua vez, deixa o jarro de água,  mostrando que já podia ir mais longe com sua vida; ela não estava confinada ao papel que a sociedade lhe impôs. No Evangelho de João ela é a primeira pessoa a proclamar Jesus como o Messias. Ir adiante é uma necessidade para aqueles que desejam crescer ficando mais fortes e mais sábios na sua fé.
O fato de ter a mulher samaritana deixado para trás seu cântaro de água é um sinal de que ela tinha encontrado um bem maior do que a água que tinha vindo buscar, e um lugar melhor para agir dentro da sua comunidade. Ela reconhece o dom maior que esse judeu estrangeiro, Jesus, lhe está oferecendo.
É difícil para nós considerar valioso, reconhecer como bom, ou mesmo santo, o que nos é desconhecido e o que pertence  outro. No entanto, reconhecer os dons do outro como bons e santos é um passo necessário para chegar à unidade visível que buscamos.
Questões
  • 1. O encontro com Jesus pede que deixemos para trás nossos “cântaros”. O que são para nós esses “cântaros”?
  • 2. Quais são as principais dificuldades que encontramos para fazer isso?
Oração
Amoroso Deus,
ajuda-nos a aprender com Jesus e a samaritana
que o encontro com o outro abre para nós novos horizontes de graça.
Ajuda-nos a quebrar nossos limites e aceitar novos desafios.
Ajuda-nos a superar o medo no seguimento do chamado de teu Filho.
Em nome de Jesus Cristo, oramos. Amém.


DIA 5
ANUNCIAÇÃO
Tu não tens sequer um balde e o poço é profundo (João 4,11)

Gênesis 46,1-7  Deus diz a Jacó para não ter medo de ir para o Egito
 Salmo 133 Que prazer, que felicidade encontrar-se entre irmãos!
 Atos 2,1-11 O dia de Pentecostes
 João 4,11  Tu não tens sequer um balde e o poço é profundo

Comentário
Jesus precisava de ajuda. Depois de uma longa caminhada, vem o cansaço. Exausto, exposto ao calor do meio dia, ele sente fome e sede. (Jo 4,6). Além disso, Jesus é um estrangeiro; é ele que está num território estrangeiro e o poço pertence ao povo da mulher. Jesus tem sede e, como diz a mulher samaritana, não tem balde para recolher a água. Ele precisa de água, ele precisa de ajuda: todos precisam de ajuda!
Muitos cristãos acreditam que somente eles têm todas as respostas e que não precisam da ajuda de ninguém. Perdemos muito quando mantemos essa perspectiva. Nenhum de nós pode chegar às profundezas do poço do divino e ainda assim a fé nos pede que nos aprofundemos no mistério. Não podemos fazer isso isoladamente. Precisamos da ajuda de nossos irmãos e irmãs em Cristo. Só assim poderemos mergulhar na profundidade do mistério de Deus.
Um ponto comum em nossa  fé, independentemente da Igreja a que pertencemos, é que Deus é um mistério além da nossa compreensão. A busca da unidade cristã nos leva ao reconhecimento de que nenhuma comunidade tem todos os meios de mergulhar nas águas profundas do divino. Precisamos de água, precisamos de ajuda: todos precisam de ajuda! Quanto mais crescermos na unidade, partilharmos nossos baldes e unirmos as partes de nossas cordas, mais profundamente mergulharemos no poço do divino.
A tradição indígena brasileira nos ensina a aprender com a sabedoria dos mais velhos e, ao mesmo tempo, com a curiosidade e a inocência das crianças. Quando estamos prontos para aceitar que realmente precisamos uns dos outros, nos tornamos como crianças, abertos para aprender. E é assim que o Reino de Deus se abre para nós (Mt 18,3). Precisamos fazer como Jesus fez. Precisamos tomar a iniciativa de entrar numa terra estrangeira, onde nos tornamos estrangeiros, e cultivar o desejo de aprender com o que é diferente.
Questões
  • 1. Você se lembra de situações em que sua Igreja tenha ajudado outra Igreja ou tenha sido ajudada por outra Igreja?
  • 2. Há reservas por parte da sua Igreja em aceitar ajuda de outra Igreja? Como isso pode ser superado?
Oração
Deus, fonte da água viva,
ajuda-nos a entender que, quanto mais unirmos as partes de nossas cordas,
mais profundamente nossos baldes chegarão até tuas divinas águas!
Desperta-nos para a verdade de que os dons do outro
são uma expressão do teu indefinível mistério.
E faze-nos sentar juntos à beira do poço
para beber da tua água,
que nos reúne em unidade e paz. 
Isso te pedimos em nome de teu Filho Jesus Cristo,
que pediu à mulher samaritana que lhe desse água para a sua sede.
Amém.

DIA 6
 TESTEMUNHO
Jesus disse: “A água que eu lhe darei se tornará nele uma fonte que jorrará para a vida eterna.” (João 4,14)

Êxodo 2,15-22Moisés e o poço de Midian
Salmo 91 A canção dos que se refugiam no Senhor
1 João 4,16-21O perfeito amor lança fora o temor
João 4,11-15Uma fonte que jorrará para a vida eterna

Comentário
O diálogo que começa com Jesus pedindo água se torna um diálogo em que Jesus promete água. Mais adiante, nesse mesmo Evangelho, Jesus vai pedir água outra vez. “Tenho sede” – diz ele na cruz - e a partir da cruz, Jesus se torna a prometida fonte de água que escorre do seu lado ferido. Recebemos essa água, essa vida que vem de Jesus, no batismo, e se torna uma água, uma vida que jorra para dentro de nós para ser oferecida e partilhada com outros.
Eis aqui o testemunho de uma mulher brasileira que bebeu dessa água e em quem essa água se tornou uma fonte:
A irmã Romi, uma enfermeira de Campo Grande, era uma pastora na tradição pentecostal. Numa noite de domingo, sozinha numa cabana, na vizinhança de Romi, uma menina indígena de dezesseis anos, chamada Semei, deu à luz um bebê, um menino. Ela foi encontrada caída no chão e sangrando. A irmã Romi a levou ao hospital. Questionamentos foram feitos: onde estava a família de Semei? A família foi encontrada mas lá não queriam saber de nada. Semei e seu bebê não tinham um lar para onde ir.  A irmã Romi os levou para a sua própria modesta casa. Ela não conhecia Semei e o preconceito em relação aos indígenas era forte em Campo Grande. Semei continuou a ter problemas de saúde, mas a  grande generosidade da irmã Romi despertou mais generosidade nos vizinhos. Uma outra mãe de parto recente, uma católica chamada Verônica, amamentou o bebê de Semei, que estava incapacitada para dar conta disso. Semei deu a seu filho o nome de Lucas Natanael e dentro de algum tempo eles puderam se mudar da cidade para uma fazenda, mas ela não esqueceu a bondade da irmã Romi e de seus vizinhos.
A água que Jesus dá, a água que a irmã Romi recebeu no batismo, tornou-se nela uma fonte de água e uma oferta de vida para Semei e seu filho. A partir de seu testemunho, essa mesma água batismal se tornou uma fonte na vida  dos vizinhos de Romi. A água do batismo jorrando na vida se torna um testemunho ecumênico do amor cristão em ação, uma amostra antecipada da vida eterna que Jesus promete. Gestos concretos como esse, praticados por pessoas comuns,  são o que nós precisamos para crescer em companheirismo. Eles nos dão testemunho do evangelho e da relevância das relações ecumênicas.
Questões
  • 1. Como você interpreta as palavras de Jesus quando ele diz que através dele podemos nos tornar “uma fonte de água jorrando para a vida eterna”?
  • 2. Onde você vê pessoas cristãs sendo fontes de água viva para você e para outros?
  • 3. Quais são as situações na vida pública em que as Igrejas deveriam falar a uma só voz para serem fontes de água viva?
Oração
Triuno Deus,
seguindo o exemplo de Jesus,
torna-nos testemunhas do teu amor.
Dá-nos o dom de sermos instrumentos de justiça, paz e solidariedade.
Que o teu Espírito nos leve a ações concretas que conduzem à unidade.
Que as paredes sejam transformadas em pontes.
Assim te pedimos em nome de Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo.
Amém.


DIA 7
TESTEMUNHO
“Dá-me de beber”  (João 4,7)

 Números 20,1-11 Os israelitas em Meribá
 Salmo 119,10-20 “Não esqueço a tua palavra”
 Romanos 15,2-7 “Que Deus.... vos conceda estar de perfeito acordo entre vós”
 João 4,7    “Dá-me de beber”

Comentário
Os cristãos deveriam estar confiantes de que a atitude de encontrar e partilhar experiências com o outro, mesmo com outras tradições religiosas, pode nos transformar e nos ajudar a mergulhar nas profundezas do poço. O ato de nos aproximarmos daqueles que para nós são estrangeiros, com o desejo de beber de seu poço, nos abre para as “maravilhas de Deus” que proclamamos. No deserto, o povo de Deus ficou sem água e Deus enviou Moisés e Aarão para tirar água da rocha. Da mesma maneira, Deus muitas vezes atende a nossas necessidades através de outros. Quando pedimos ao Senhor em nossas necessidades, como fez a samaritana ao pedir a Jesus “Senhor, dá-me desta água”, talvez o Senhor já tenha respondido a nossas preces colocando nas mãos daqueles que  estão próximos aquilo que pedimos. Assim, precisamos também nos voltar para eles e pedir “Dá-me de beber”.
Às vezes a resposta a nossas necessidades já está na vida e na boa vontade das pessoas à nossa volta. Do povo guarani do Brasil aprendemos que, em sua língua, não existe palavra equivalente ao termo “religião” como algo separado do resto da vida. A expressão que eles costumam usar significa literalmente “nosso bom modo de ser” (“ñande teko katu”). Essa expressão se refere ao sistema cultural por inteiro, o que inclui a religião. A religião, portanto, é parte do sistema cultural guarani, bem como o seu modo de pensar e ser (teko).Isso se relaciona com tudo que melhora e desenvolve a comunidade e conduz ao seu “bom modo de ser” (teko katu). O povo guarani nos faz lembrar que o cristianismo no início foi chamado “o Caminho” (Atos 9,2). “O caminho” ou “nosso bom modo de ser” é o modo de Deus trazer harmonia a todas as partes da nossa vida.
Questões
  • 1. Como sua compreensão e sua experiência de Deus têm sido enriquecidas pelo encontro com outros cristãos?
  • 2. O que as comunidades cristãs podem aprender da sabedoria indígena e de outras tradições religiosas em sua região?
Oração
Deus da vida, que cuidas de toda a criação e nos chamas para a justiça e a paz,
que a nossa segurança não venha das armas, mas do respeito.
Que a nossa força não seja de violência, mas de amor.
Que a nossa riqueza não esteja no dinheiro, mas na partilha.
Que o nosso caminho não seja o da ambição, mas o da justiça.
Que a nossa vitória não venha da vingança, mas do perdão.
Que a nossa unidade não esteja na busca por poder, mas no vulnerável testemunho da tua vontade.
Com abertura e confiança, possamos defender a dignidade de toda a criação, partilhando, hoje e sempre, o pão da solidariedade, da justiça e da paz.
Isso te pedimos em nome de Jesus, teu santo Filho, nosso irmão, que, como vítima de nossa violência, mesmo do alto da cruz, deu a nós todos o perdão.
Amém.

(adaptado de uma prece de uma conferência ecumênica no Brasil, onde se pedia pelo fim da pobreza como um primeiro passo no caminho da paz através da justiça)

DIA 8
TESTEMUNHO
Muitos tinham acreditado por causa da palavra
da mulher (João 4, 39)

Êxodo 3,13-15 Moisés e a sarça ardente
 Salmo 30  O Senhor nos faz reviver
 Romanos 10,14-17 “Como são belos os  pés daqueles que anunciam boas novas!”
 João 4,27-30.39-40  Muitos acreditaram por causa do testemunho da mulher

Comentário
Com o coração transformado, a mulher samaritana parte em missão. Ela anuncia a seu povo que tinha encontrado o Messias. Muitos acreditaram em Jesus “por causa da palavra da mulher” (João 4,39). A força do seu testemunho vem da transformação de sua vida, causada por seu encontro com Jesus. Graças à sua atitude de abertura, ela reconheceu naquele estrangeiro “uma fonte que jorrará para a vida eterna” (João 4,14).
A missão é um elemento chave da fé cristã. Todo cristão é chamado a anunciar o nome do Senhor. O papa Francisco disse aos missionários: “onde quer que vocês possam ir, seria bom pensar que o Espírito de Deus sempre vai à nossa frente”. Missão não é proselitismo. Aqueles que verdadeiramente anunciam Jesus se aproximam dos outros em diálogo amoroso, abertos a uma aprendizagem mútua, e respeitando a diferença. Nossa missão exige de nós que aprendamos a beber da água viva sem nos apossarmos do poço. O poço não nos pertence. Nós ganhamos vida a partir desse poço, o poço de água viva que nos é dado por Cristo.
Nossa missão precisa ser um trabalho tanto de palavra como de testemunho. Buscamos viver o que proclamamos. O falecido arcebispo brasileiro D. Helder Câmara disse certa vez que muitos se tornaram ateus porque ficaram desiludidos com pessoas de fé que não praticam o que pregam. O testemunho da mulher levou sua comunidade a acreditar em Jesus porque seus irmãos e irmãs viram coerência entre as palavras dela e a própria transformação que ela demonstrava.
Se nossa palavra e nosso testemunho são autênticos, o mundo ouvirá e acreditará. “Como creriam nele, sem o terem ouvido?” (Rm 10,14)
Questões
  • 1. Que relação existe entre unidade e missão?
  • 2. Você conhece pessoas em sua comunidade cuja história de vida é um testemunho de unidade?
Oração
Deus, fonte de água viva,
transforma-nos em testemunhas de unidade tanto através de nossas palavras como de nossas vidas.
Ajuda-nos a entender que não somos os donos do poço
e dá-nos a sabedoria para acolher a mesma graça uns nos outros.
Transforma nossos corações e nossas vidas
para que possamos ser verdadeiros portadores da Boa Nova.
E leva-nos sempre ao encontro com o outro,
como um encontro contigo.
 Isso te pedimos em nome de teu Filho Jesus Cristo.
na unidade do Espírito Santo.
Amém.



Extraído do texto preparado e publicado em conjunto pelo 
Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e
Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas

Tradução para o português:
Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
Brasília, 2014

domingo, 21 de dezembro de 2014

MENSAGEM DE ADVENTO E NATAL DE 2014


Queridos diocesanos e irmãos e irmãs em Cristo!

Somos, de facto, irmãos, concidadãos dos santos, filhos adoptivos de Deus, em Cristo, que nasceu, morreu e ressuscitou e nos exorta a amar a Deus e a viver, na esperança, a festa da fé, do amor e da alegria, celebrando, testemunhando e imitando Cristo, feito próximo e solidário, para salvar os indiferentes, libertando-os da idolatria e culto do dinheiro, do sexo, da arrogância e poder. O Natal faz parte do plano divino.
Feliz Natal, sem mal entendidos e cerimonial mundano. As palavras perdem conteúdo, sentido e verdade. É preciso regressar ao cerne e origem de gestos e praxes, deixando de falar de Natal, sem Deus e sem o amor de Deus, manifestado em Cristo que se fez homem e chama à conversão, por "não haver maior prova de amor que dar a vida pela pessoa amada" e "havendo mais alegria em dar que em receber'' . O Natal do Filho de Deus tornou-se carnaval, feira, comércio, espectáculo e regabofe, sem dignidade, sem verdadeira alegria e sem Menino Jesus! É urgente que adquira sentido, santidade e dignidade e nos leve ao Menino, que nasceu, em Belém, ao Filho de Deus feito Servo Sofredor e Cordeiro Imolado. Deve levar à verdade e santidade, à bem-aventurança, sem esquecer a esperança, a paciência e a vigilância do Advento. É bom meditar a Palavra à espera de ser recebida, assimilada, cumprida, dando frutos de boas obras. O Natal deve culminar na transformação gloriosa da Páscoa de Cristo, com o Advento que precede o Natal, para, na sucessão de festas e mistérios, sermos conduzidos à plenitude da vida e do amor, que brilha no mistério da Páscoa, na Ressurreição, que é a festa das festas e o mistério central de Deus que se dá.
É o Natal, com Cristo, em Cristo e para Cristo, que desejo! Natal, sem Deus, não tem sentido. Peço-vos que, como Maria Santíssima, que trouxe, no seio, o Menino Jesus, mediteis a Palavra de Deus, abertos ao Espírito, celebrando a Festa da sua vinda, nos nossos corações, lembrados que a Palavra espera resposta.

Com votos de Santo e Feliz Natal, recebei as saudações cordiais do vosso bispo.


Vila Real, 8 de Dezembro, Festa da Imaculada

+ Amândio José Tomás, Bispo de Vila Real

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

COMUNICADO - PÁROCOS DO DOURO I

OS PÁROCOS DA REGIÃO PASTORAL DOURO I – RÉGUA, SANTA MARTA e MESÃO FRIO – DENUNCIAM A DEGRADAÇÃO SOCIO-ECONÓMICA DOS PEQUENOS E MÉDIOS VITICULTORES

Enquanto párocos das freguesias dos concelhos da Régua, Santa Marta de Penaguião e Mesão Frio, preocupados com a situação económica e humana dos pequenos e médios vitivinicultores destes concelhos da Região Demarcada do Douro, vimos, mais uma vez, chamar a atenção de quem nos governa para a realidade nua e crua da degradação, cada vez mais grave, dos recursos económicos provenientes do cultivo da vinha.
1.      Nos últimos dez anos, o preço dos vinhos para estes viticultores diminuiu mais de cinquenta por cento. As despesas no cultivo foram sempre aumentando.
2.      As instituições ligadas aos mesmos entraram, por múltiplas razões, em crise financeira, desde as Adegas Cooperativas até à pura extinção da Casa do Douro.
3.      A relação entre a produção e as grandes empresas de comercialização tornou-se cada vez mais desigual. Estas dominam cada vez mais o mercado, tanto externo como interno. Para além deste domínio, aumentaram áreas de plantio de vinha, com garantia das melhores letras de benefício, impõem no mercado livre o preço que querem, quer no vinho de mesa, quer no vinho tratado, aumentando o seu império e deixando os pequenos e médios viticultores na quase miséria.
4.      Existem casos em que o resultado da colheita não dá para as despesas da vindima.
5.      No entanto, o vinho continua a fazer a riqueza de alguma gente nesta Região Demarcada, em que a prosperidade e o luxo protegido dos mais poderosos se misturam com a miséria e as lágrimas da maioria dos que aqui residem e fazem vida.
Mais uma vez perguntamos:
Quais as razões desta situação degradante que se vai acentuando?
Que medidas tomar para lhe dar remédio?
O Governo e a Assembleia da República não podem ficar de braços cruzados, na contemplação do enfrentamento das forças sócio-económicas.
Seria bom que procurassem responder a estas perguntas, porque têm capacidade – sabedoria e competência – para isso e é dever seu promover e defender o bem de todos, sobretudo dos mais fracos.
Terá sido a melhor solução extinguir a Casa do Douro, uma associação que foi, melhor ou pior, o sustentáculo dos produtores de vinho desta região, desde 1932?
Acabar com a Casa do Douro, retirando-lhe as suas atribuições, que passaram para um organismo do Estado – IVDP – não terá sido uma violação do princípio fundamental de uma sociedade democrática que deve respeitar as instituições de base e associações intermédias, como é o princípio da subsidiariedade?
Será que aquando da entrada de Portugal no Mercado Comum Europeu, se procurou salvaguardar as prerrogativas da nossa Região Demarcada do Douro, que tem mais de duzentos anos? Outras nações o fizeram, na defesa das suas instituições e regiões.
A Casa do Douro exerceu durante mais de cinquenta anos, funções de verdadeira utilidade pública em favor de todos os viticultores do Douro – escoamento atempado e devidamente pago dos vinhos excedentes, levantamento competente do cadastro das vinhas, com a classificação das condições exigidas para vinhos de Benefício, rigorosa fiscalização sobre vinhas e vinhos, vigilância sobre a aplicação da lei sobre novos plantios, ação interventiva e conciliadora entre a produção e o comércio, na defesa de pequenos e médios viticultores, fornecimento das aguardente vínicas e defesa da sua genuinidade no tratamento dos vinhos de benefício. Estes serviços foram feitos com muita competência, reconhecida internacionalmente, sobretudo no que diz respeito ao cadastro.
Transformar esta instituição, que foi de utilidade e direito público, em associação privada, retirando-lhe as funções que exerceu e que estavam na base da sua sobrevivência económica, deixa-nos as seguintes perguntas:
- A quem servirá essa associação privada? Apenas aos interesses de quem nela se inscrever?
- Quais os seus objetivos concretos, para motivar os interesses de todos, sobretudo dos mais frágeis?
- Não ficará essa associação vazia de verdadeiros conteúdos ou objetivos, à maneira de outras instituições decorativas do nosso Douro?           
Não é nossa intenção assumir qualquer posição político-partidária, move-nos, sim, a defesa dos pequenos e médios viticultores desta Região Demarcada do Douro. Não queremos - como diz Sua Santidade, o Papa Francisco, na sua Exortação Apostólica Alegria do Evangelho, “que tudo entre no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco”. Sonhamos um mundo em que todos – Igreja(s), Governos e cidadãos – digam não a uma economia de exclusão e desigualdade social.

Peso da Régua, 17 de Setembro de 2014


Os Párocos da Região Pastoral Douro I – Diocese de Vila Real

terça-feira, 16 de setembro de 2014

PROGRAMA DO CCC PARA 2014/2015

CENTRO CATÓLICO DE CULTURA DA DIOCESE DE VILA REAL
PROGRAMA PARA 2014-2015

Este ano, iniciaremos a Escola de Ministérios Litúrgicos e, em sintonia com o plano pastoral da Diocese “A Comunidade dos Discípulos, constituída por Famílias e Grupos”, teremos três conferências sobre a família e um retiro para famílias.

As aulas serão às sextas-feiras, das 21h00 às 22h30, em Vila Real, no Auditório da Casa Diocesana (Seminário).

F 10 de Outubro de 2014, às 21h30: Sessão inaugural. Abertura do ano lectivo, com uma conferência pelo Ex.mo Senhor Doutor José Carlos Carvalho, Professor de Sagrada Escritura na Faculdade de Teologia da UCP no Porto: “Da família antiga à família nova do Novo Testamento”.

1.º trimestre (17/10 – 12/12/2014), 9 sessões

21h00-22h30: Formação bíblica de leitores, orientada pelo Serviço Diocesano de Animação Bíblica.

F 13 e 14 de Dezembro de 2014: Retiro para famílias, na Casa Diocesana, orientado pelo Rev.º Senhor P.e Jorge Manuel Faria Guarda, Vigário-Geral da Diocese de Leiria-Fátima. Inscrições até 30 de Novembro, no Seminário de Vila Real.

F 9 de Janeiro de 2015, às 21h30: Abertura do 2.º trimestre, com uma conferência por Sua Ex. a Rev.ma o Senhor D. António José da Rocha Couto, Bispo de Lamego: “Deus e Israel: As metáforas da família nos profetas”.

2.º trimestre (16/01 – 13/02 e 27/02 - 20/03/2015), 9 sessões

21h00-22h30: Formação bíblica de salmistas, orientada pelo Serviço Diocesano de Animação Bíblica.  

F 17 de Abril de 2015, às 21h30: Abertura do 3.º trimestre, com uma conferência pelo Ex.mo Senhor Doutor José Carlos Gomes da Costa, Psicólogo e Professor na UTAD: “Desafios à família hoje”.

3.º trimestre (24/04, 08/05 – 05/06 e 19 - 26/06/2015), 8 sessões

21h00-22h30: Formação litúrgica de leitores e salmistas, orientada pelo Secretariado Diocesano de Liturgia.

* Se houver alunos em número suficiente, podemos também garantir um curso de órgão e de direcção musical aos sábados de manhã.
Ficha de inscrição

Nome………………………………………………………………………………

Data de nascimento ........../........../............... Habilitações literárias………………

Frequentou o curso do CCC nos três anos anteriores?............................................

Contactos: Telefone ou telemóvel......................... E-mail………………………..

Paróquia…………………………………………………………………………...

Arciprestado……………………………………………………………………….

Assinatura do aluno……………………………………………………………….

Assinatura do Pároco……………………………………………………………...

Entregar, junto com o respectivo pagamento, no Seminário de Vila Real. Pede-se também a entrega de uma fotografia.
Inscrição por cada disciplina: € 10,00. A entrada nas conferências é livre e aberta a todos. Para o retiro de famílias, haverá ficha de inscrição própria.


quinta-feira, 10 de julho de 2014

Novo Mestrado em Património Cultural e Religioso

Novo Mestrado em Património Cultural e Religioso
Faculdade de Ciências Sociais | Católica Braga


Católica Braga aposta, no próximo ano letivo, na área do Património, desenvolvendo o mais recente curso de mestrado em Património Cultural e Religioso. Com coordenação da Professora Doutora Alexandra Esteves, este novo mestrado é lecionado na Faculdade de Ciências Sociais e terá início já no próximo ano letivo 2014/2015.

A formação em Património Cultural e Religioso faz sentido numa instituição de cariz católico, com uma forte tradição no domínio das ciências sociais e humanas e enraizada na região do norte de Portugal. Por outro lado, a preocupação consiste na preservação do património religioso, dada a sua importância histórica e económica do seu legado cultural e espiritual.

Os objetivos gerais deste curso passam por contribuir para a preservação, valorização e divulgação do património cultural e religioso local e regional, preparando profissionais altamente qualificados para o desempenho de tarefas de investigação, coordenação e gestão de projetos relacionados com a valorização turística do património cultural e religioso a nível local e regional.

No fundo, os alunos vão ter oportunidade de conhecer, conservar e divulgar o património cultural e religioso, adquirir métodos e técnicas para identificação, inventariação, divulgação e preservação do património material e imaterial e obter competências com vista à realização de projetos de investigação, divulgação e fruição do património cultural e religioso. Os profissionais que já operam na área, por sua vez, vão poder atualizar e melhorar as suas competências em setores como turismo, cultura e património.

As condições de acesso e ingresso são Licenciatura em História, Arqueologia, Antropologia, História da Arte, Geografia, Turismo ou Sociologia.

Para mais informações ou pré-inscrições contactar a Secretaria da Faculdade de Ciências Sociais através desecretaria.facis@braga.ucp.pt ou 253 206 106.

As novidades do curso podem ser seguidas através de www.facebook.com/patrimonio.ucp.


Com os melhores cumprimentos,

Catarina Carvalho
Gab. Relações Públicas e Comunicação

quarta-feira, 7 de maio de 2014

BARRIGAS DE ALUGUER


“BARRIGAS DE ALUGUER”

Foi noticiado que será em breve votada uma proposta de legalização da chamada “maternidade de substituição” (vulgarmente conhecida como “barriga de aluguer”). Pretende-se tornar lícita tal prática em situações de infertilidade patológica e com exclusão de propósitos lucrativos. E, como vai sendo habitual em situações semelhantes, apresentam-se exemplos concretos, suscetíveis de provocar natural empatia, de casais que assim veriam aberto o acesso à paternidade e maternidade. Mas importa considerar a questão em profundidade e com atenção a todas as suas implicações.
Uma discussão profunda da questão tem ocorrido, por exemplo, em França, onde uma importante corrente de pensamento, conotada com a esquerda, denuncia vigorosamente essa prática como expressão de um grave retrocesso social. É o que faz, o documento Mères Porteuses; Extension du Domaine de l´Aliénation elaborado no âmbito da fundação Terra Nova – La Fondation Progressiste. Nele se afirma que a maternidade de substituição representa «a mais recente e a mais chocante das extensões do domínio da alienação», ou seja, da coisificação e instrumentalização da pessoa, de que são principais vítimas as mulheres mais pobres.
Na mesma linha se pronuncia a filósofa Sylviane Agacisnky, esposa do antigo primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, no livro Corps em miettes (Flamamrion, 2013).
Sylviane Agacisnky desmascara aquilo que considera alguns mitos. Um deles é o da pretensa finalidade terapêutica. É óbvio que não será desta forma que os casais inférteis passarão a ser férteis, sendo que a criança nunca terá a mesma ligação à mãe “intencional” ou “genética” que tem quando a gestação se dá de forma natural.
Outro mito é o da gratuidade. A experiência tem revelado a extrema dificuldade em impedir a comercialização encapotada por detrás da suposta não onerosidade dos contratos. A “compensação de despesas” acaba por ter efeitos idênticos aos do pagamento. Só situações de grande carência económica levam mulheres a sujeitar-se a tão traumatizante experiência (não é por acaso que a prática se vem difundindo na Índia) e essa sujeição não pode considerar-se expressão autêntica de liberdade.
Questões a ter em conta, para além do desejo dos requerentes, são o bem da criança e o bem da “mãe de substituição”.
O filho nunca deixa de sentir o abandono a que é sujeito. Cada vez se conhece melhor os intercâmbios entre a mãe gestante e o feto e a importância desse intercâmbio para o salutar desenvolvimento físico, psicológico e afectivo deste. A criança não poderá experimentar a segurança de reconhecer, depois do nascimento, o corpo onde habitou durante vários meses.
Em especial, devem ser considerados os graves danos para a mãe gestante, que não pode deixar de viver a gravidez como sua e de sofrer com o abandono do filho que lhe é imposto (a imposição de renúncia à mais espontânea e natural das obrigações: cuidar do filho que se gerou). O útero é inseparável do corpo e da pessoa, não é um alojamento temporário, ou um instrumento técnico. A gravidez não é uma actividade como qualquer outra; transforma a vida da mulher fisica, psicologica e moralmente; situa-se – salienta Sylviane Agacisnky – não no domínio do ter ou do fazer, mas no domínio do ser.
É por isto que esta filósofa fala a este respeito em “alienação biológica”. A mãe gestante «deve viver nove meses, vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas, abstraindo da sua própria existência corporal e moral. Deve transformar o seu corpo em instrumento biológico do desejo de outrem, em suma, ela deve viver ao serviço de outrem, privando a sua existência de qualquer significado para ela própria». «Uma mulher paga para estar grávida come, dorme e dá à luz ao serviço de outrem. Serve de instrumento de procriação como um forno serve para cozer o pão. (…) é a sua individualidade que ela aliena, ou seja, a sua vida íntima e pessoal, a qual devia ser insubstituível» Quando «o direito de cada um viver para si mesmo, segundo os seus próprios fins, está no coração da nossa concepção de liberdade e dignidade humana »
Em vários países, é reconhecido à mãe gestante o direito de se arrepender e ficar com a criança à sua guarda (o que não deixa de ser contraditório com a obrigação que assumiu perante os requerentes). Comenta a este respeito Sylviane Agacinsky: não significa isso o reconhecimento implícito de que se estão a «violentar sentimentos humanos profundos e legítimos» e a «ferir emoções humanas elementares»?
Em suma, conclui esta filósofa francesa (e seria bom que concluíssem também os nossos deputados): o mercado das “barrigas de aluguer” «é essencialmente cruel e nenhum enquadramento jurídico poderá torná-lo mais humano».  
  
                                                                           Pedro Vaz Patto


CEM DIAS PARA A EUROPA


Entrevista a Patrizia Mazzola e Letizia De Torre, a menos de 100 dias das próximas eleições europeias.

Paolo Balduzzi
Nos dias 24 e 25 de maio de 2014 vão realizar-se as votações para a renovação do Parlamento Europeu. Pedimos à Dra. Letizia De Torre e a Dra. Patricia Mazzola que nos explicassem o significado desta eleição. Letizia De Torre é presidente internacional do Movimento Político pela Unidade (MPPU); é professora e foi Deputada do Parlamento por dois mandatos. Patricia Mazzola é presidente da Comissão Internacional "Política e Administração Pública e Globalidade" do Movimento Humanidade Nova. Professora também, militante política ativa por muitos anos, especialmente na Sicília, sua região de origem.

Qual é a importância histórica das eleições europeias de 2014?

Mazzola: "Concentro-me em alguns pontos: nos últimos anos, a União Europeia tem se mostrado como uma presença capaz de liderar o debate público em relação às questões de interesse comum limitando, verdadeiramente, os assim chamados “poderes fortes” que em alguns casos fazem prevalecer os interesses de poucos em detrimento da coletividade. Temos que ter claro que sem uma ação em nível de Europa é impossível chegar a solução de problemas que hoje afetam os nossos países. No contexto da imigração, vamos pensar no que aconteceu em Lampedusa: sem um acordo como Europa nunca vamos entender como conjugar a acolhida com a legislação, a luta contra a pobreza com uma visão mundial dos problemas, que permita encontrar soluções eficazes e duradouras. Sabemos pouco do que acontece na Europa, até porque faltam os contatos diretos com os parlamentares europeus, a Europa ainda está longe de nós. Estas eleições são uma ocasião da Europa entrar na vida cotidiana das pessoas.”.

De Torre: “Eu gostaria de tocar em três pontos fundamentais: em primeiro lugar, existem problemas que precisam de uma solução “pelo menos” continental (dois exemplos: a questão do trabalho e da imigração). Em segundo lugar, devemos entender que as decisões tomadas em Bruxelas afetam muito mais as nossas vidas do que aquelas tomadas em Roma ou nos nossos municípios. Em terceiro lugar, a exigência, por parte dos cidadãos, de participação dos processos de decisão, como podemos ver nas manifestações das ruas, no mundo inteiro. As próximas eleições europeias são um momento privilegiado para fazer ouvir a nossa voz. Além do mais, esta será a primeira vez que o presidente da Comissão Europeia será escolhido pelo parlamento em Estrasburgo.
Em um momento de grande transformação, com a formação de novos equilíbrios, como nós podemos pensar em competir com o mundo, como podemos esperar de tutelar a paz, de influenciar nas escolhas financeiras e econômicas nos pequenos estados?
Em 2050, a Europa terá 7% dos 7 bilhões de habitantes: não podemos senão nos apresentarmos juntos, como um continente, com a riqueza da nossa história e cultura milenária, é claro, mas também com uma contribuição nova, inédita, que a Europa deve elaborar e oferecer ao mundo contemporâneo.”.

Porque é que hoje a Europa é fraca?

De Torre: “Porque parou no seu processo de integração. Os Estados nacionais deixaram de impulsionar o processo político da UE. Vão para Bruxelas para negociar mais recursos para questões internas, e, depois, atribuem à Europa o que não vai bem no próprio país. É uma atitude destrutiva que não faz jus à verdade. A União Europeia representa um crescimento em humanismo, em civilização e em oportunidades para todos, apesar das limitações que ela tem e que pode e deve ser encarada, abordada e resolvida. É necessário que cada cidadão europeu redescubra a força da Europa, a responsabilidade da Europa para com o mundo e o orgulho de fazer parte de um continente que, pela primeira vez na história do mundo, escolhe iniciar um percurso em direção a uma única entidade política. E isto livremente, em igualdade entre todos os povos e todas as minorias, com um propósito de paz e não de exploração, para reconstruir a fraternidade após duas guerras devastadoras. Unidade na multiplicidade das diversidades, entendidas como riqueza. Quem tem o direito de interromper este percurso?”.

Como é que o Movimento Político pela Unidade e o Movimento Humanidade Nova se inserem neste processo?

De Torre: “Nós todos da unidade, não podemos não acreditar na União Europeia, porque se “realmente” pensamos que a fraternidade universal é o destino da humanidade esta se realizará inclusive nas grandes agregações: no Mercosul, na União Africana, no Diálogo para a cooperação asiática, na União Europeia: são exemplos de organismos que surgiram por várias razões, incluindo a financeira e comercial, mas que ainda representam um forte impulso para a unidade. É um processo que vai para frente por si mesmo, como nos mostra a história, mas se neste caminho cada um de nós fizer a própria parte, ele será acelerado, com o benefício de todos.”.

Mazzola : “O slogan da Europa é a unidade na diversidade, unidade que deve conservar as diferenças nacionais. Nossa tarefa é essa: sensibilizar o eleitorado sobre a importância dessas passagens históricas, dando uma contribuição para ‘desatar’ os nós que impedem reconhecer a importância das diversidades, harmonizando-as em um processo de agregação, que precisa reiniciar. A União Europeia recebeu em 2012 o Prêmio Nobel da Paz e a Europa dobrou o prêmio para projetos que favorecem os países em desenvolvimento. São sinais importantes porque mostram que a Europa não é apenas burocracia, não é só mercado, não apenas interesses de grupos particulares, mas é sobretudo uma ‘chance’ para os europeus e para o mundo inteiro, mesmo se não temos o pleno conhecimento.
Eu falei recentemente com Peter Njume, deputado da República dos Camarões. Estas são as suas palavras: “Quando ouvimos falar da crise europeia, nos reunimos com a comunidade e cada um de nós escreveu uma oração e rezamos todos os dias pela Europa. Acreditamos na Europa, acreditamos neste processo de unificação.”.
Sendo que a UE permite estabelecer pontes, laços invisíveis mas fortes com o mundo, ofereceremos neste site, para quem estiver interessado, artigos, documentos, entrevistas, a fim de que cada cidadão possa formar-se um ideia da Europa que reflita uma realidade que pertence a todos nós e que vai além das eleições que acontecerão em menos de 100 dias.”.