quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

MENSAGEM DO SR. BISPO DE VILA REAL PARA A QUARESMA DE 2014

Quaresma e Páscoa, conversão e ajuda aos pobres

Caros Diocesanos, boa Páscoa e Quaresma de oração, renúncia e partilha!

A Páscoa é passagem, mudança de vida do Ressuscitado, que se fez homem para nos salvar. É o mistério da morte e ressurreição ou retorno do Filho ao Pai, donde veio, para nos dar a vida de Deus. Evitai o mal, fazei o bem, para serdes felizes, pois “a glória de Deus é o homem vivo e o desejo do homem é ver a Deus”, diz S. Ireneu. O Ressuscitado venceu o pecado e a morte para nos dar a eterna alegria da vida divina, gloriosa e autêntica.

1.- O amor a Deus e ao próximo faz feliz quem vive e aposta, no dom da solidariedade, na empatia com outro, no bem comum, compaixão e perdão. O Papa Francisco fala da ‘globalização da indiferença’ e do assobiar para canto. O remédio contra o mal e apatia é fazer bem, retirar de nós o ódio, o desinteresse e a escravização do próximo. O culto das criaturas torna-nos escravos do efémero e descartável, leva ao desespero, tristeza, cegueira, auto-endeusamento e auto-suficiência e mergulha-nos na ilusão do ‘eclipse de Deus’, vegetando impenitentes, sem arrependimento e dor de coração.
  
2.- A Quaresma prepara a Páscoa da Ressurreição, a nova criação e a vida gloriosa, com a ascese, a conversão e a passagem obrigatória pela morte e dom de si, imitando Jesus que veio, para dar a vida por nós, renunciando ao poder e à glória. A Quaresma deve levar-nos à imitação de Cristo, à renúncia, ao êxodo, à partilha e ao amor fraterno.

Deus encarnou, fez-se um de nós, para termos “os mesmos sentimentos que existiam em Cristo Jesus” (Fil.2,5), imitando-o, dando a vida, saindo de nós, indo ao encontro e ajudando, pois “há mais alegria em dar que em receber”(Act.20,35). Há que anunciar Cristo, com coragem, alegria e convicção, sem medo, nem vergonha, e amar os pobres, com fraterna solicitude, pois Deus quer ser encontrado e servido neles.

A renúncia é a penitência que nos impomos e a ressurreição esperada é precedida da paixão e morte de Jesus, que viveu a condição humana, morreu uma só vez, para, na carne assumida, viver, para sempre, com o Pai, na unidade do Espírito Santo. A dádiva do despojamento e sacrifício prepara a alegria duradoura de amar e ser amados, por Aquele que amou primeiro e nos surpreendeu, com a dádiva da vida, assumida no seio de Maria Santíssima, e que Ele, voluntariamente, ofereceu por nós no altar da cruz.  

3.- A vida moderna é de progresso técnico e de benefícios e malefícios dos meios de comunicação, rápidos e maravilhosos. O que sucede, aqui e agora, é, imediatamente, conhecido, em todo o mundo. A informação torna o mundo diversificado e plural, uma aldeia global, bombardeada por várias propostas e modos de viver e ver o mundo, que não ajudam, automaticamente, a gente a criar entendimento, amizade e reconciliação. As pessoas vivem fechadas, no egoísmo e narcisismo, vítimas do progresso. Volta-se o feitiço contra o feiticeiro. Cresce a apatia, a indiferença e insensibilidade. Não se olha o bem comum. Não há solidariedade. A informação faz a aldeia global, mas não ajuda a amizade, a empatia e o encontro humano. Bento XVI observou, que as técnicas de comunicação nos fazem vizinhos, mas não obrigatoriamente irmãos uns dos outros.

4. O cristão ama, partilha e dá, com solicitude, para mitigar a dor e miséria dos outros. Os Peditórios Paroquiais, para os fins indicados, pela Igreja, e o Contributo Penitencial Quaresmal ou Bula da Cruzada, sob tutela do Bispo, fazem-se para ajudar necessidades elencadas e específicas. Mas, para lá dessas dádivas, cada fiel pode e deve praticar a Renúncia Voluntária, que a si mesmo se impõe, privando-se do que entende. A recolha diocesana da Renúncia Voluntária, dita Quaresmal, feita ao longo do ano, é canalizada, pelo bispo diocesano, para fim apropriado, segundo ditame da sua solicitude pastoral.

A Renúncia destina-se aos necessitados, socorridos pela privação voluntária de muitos. Na diocese de Vila Real, no ano passado, a Renúncia reverteu, para o Fundo Social Diocesano, ao qual, em especial, a Caritas Diocesana está associada.

A Renúncia Voluntária deste ano reverte para as Conferências de S. Vicente de Paulo, como gesto de apreço, no Jubileu do Bem-Aventurado Frederico Ozanam, nascido a 23 de Abril de 1813. As conferências testemunham o amor de Deus, em Cristo, que quer ser servido nos pobres. O Bem-Aventurado Ozanam, na senda de S. Vicente de Paulo, deixou-nos um instrumento, que devemos vitalizar e expandir na Diocese, pois a fé sem obras é morta. A fé exige as obras de caridade e estas são a manifestação da fé viva, coerente e consequente, pois “pregar e não praticar é parecer-se com o sino que toca para a missa e nunca lá aparece”, como diz S. Francisco de Sales.

Há que recrutar e formar gente nova, que testemunhe a fé e a caridade, com a prática das Obras de Misericórdia, a ajuda, o conforto e serviço aos indigentes e abandonados. Unido a todos, na fé e na oração a Deus, Vos saúda o Vosso bispo, que pede a Deus Misericordioso que Vos abençoe e recompense pelo bem feito aos pobres.

Vila Real, 2 de Fevereiro de 2014

+ Amândio José Tomás  

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

FORMAÇÃO PERMANENTE DO CLERO

“A RESSURREIÇÃO DE JESUS E A NOSSA RESSURREIÇÃO”

FORMAÇÃO PERMANENTE DO CLERO

Auditório - Seminário de Vila Real

17-20 de Fevereiro de 2014

Segunda - 17 de fevereiro - Porto

10.15h - Conferência: JESUS RESSUSCITADO NO HORIZONTE HISTÓROCO DO SABER DA FÉ

11.30h - Conferência: JESUS RESSUSCITADO, ATUALIDADE DO EVENTO

15.00h - Conferência: LEITURA MEDITADA DE TEXTOS DA RESSURREIÇÃO

Prof. Doutor Pierangelo Sequeri

Prof. Doutor Pierangelo Sequeri

Prof. Doutor D. António Couto

Terça - 18 de fevereiro - Vila Real

10.00h - Oração de Laudes

10.30h - Conferência: A RESSURREIÇÃO DE JESUS E A NOSSA ENTRE O SINAL E O DESEJO

Prof. Doutor José Carlos Carvalho

Debate

14.30h - Oração da Hora Intermédia

Conferência: A RESSURREIÇÃO NA RECONCILIAÇÃO E NA PRÁTICA TERAPÊUTICA

Prof. Doutor José Carlos Carvalho

Debate

Quarta - 19 de fevereiro - Vila Real

10.00h - Oração de Laudes

10.30h - Conferência: O PROBLEMA DA RESSURREIÇÃONA CULTURA BÍBLICA

Prof. Doutor Andres Torres Queiruga

Debate

14.30h - Hora Intermédia

Conferência: A INTERPRETAÇÃO DA RESSURREIÇÃO NA CULTURA ATUAL

Prof. Doutor Andres Torres Queiruga

Debate

Quinta - 20 de fevereiro - Vila Real

10.00h - Oração de Laudes

10.30h - Conferência: O MISTÉRIO PASCAL NO RITUAL DAS EXÉQUIAS

Dr. João Peixoto

Debate

14.30h - Hora Intermédia

Conferência: O MISTÉRIO PASCAL NO RITUAL DAS EXÉQUIAS:

Dr. João Peixoto

Debate

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES PASTORAIS

16.00h - Memória evocativa de D. José de Aquino Pereira, antigo aluno do Seminário (1931-1937) e

bispo no Brasil (1958-2011).

Encerramento: Senhor D. Amândio José Tomás

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

INÍCIO DO SEGUNDO TRIMESTRE DA EDEF

O CENTRO CATÓLICO DE CULTURA INFORMA QUE AS ACTIVIDADES LECTIVAS DA EDEF (ESCOLA DIOCESANA DE EDUCAÇÃO DA FÉ) RECOMEÇARÃO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA, DIA 10 DE JANEIRO, ÀS 21 HORAS, COM UMA CONFERÊNCIA PELO PADRE PAULO MALÍCIA, DIRECTOR DA CATEQUESE E DA PASTORAL ESCOLAR DO PATRIARCADO DE LISBOA. 
A CONFERÊNCIA TERÁ COMO TÍTULO "A PALAVRA DE DEUS: FONTE DA VIDA E DA MISSÃO DA IGREJA" E É DESTINADA A TODOS OS PARTICIPANTES DO CURSO, DE VILA REAL E DE CHAVES: CATEQUISTAS E ANIMADORES DE GRUPOS DE ESTUDO E ORAÇÃO BÍBLICA. É TAMBÉM ABERTA A TODOS OS QUE, DAS NOSSAS PARÓQUIAS E MOVIMENTOS DE APOSTOLADO, QUEIRAM COMPARECER.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A ÚLTIMA DAS LIBERDADES


             Têm sido muito discutidos anunciados projetos governamentais que tendem a dar às famílias a oportunidade de optar, sem maiores encargos financeiros, entre escolas estatais e não estatais.
            Esta discussão tem assumido contornos marcadamente ideológicos, dividindo a direita e a esquerda. Não é assim em países em que, desde há muito (como a Bélgica e a Holanda) ou mais recentemente (como a Suécia), vigoram sistemas como os que agora são propostos e que aí recolhem consensos que ultrapassam as querelas ideológicas entre direita e esquerda.
            Contra esses sistemas, tem-se dito entre nós que favorecerem as escolas privadas em detrimento das públicas, sendo que estas representam um espaço privilegiado de convívio pluralista e socialmente diversificado, quando as primeiras contribuem para a segregação social e religiosa.
            Este tipo de críticas esquece o princípio básico que nesta matéria está em jogo. Não se trata de favorecer escolas privadas em detrimento das públicas, nem de colocar umas e outras em confronto, como se umas fossem sistematicamente melhores do que as outras. Nem se trata, apenas ou fundamentalmente, de colher os benefícios da concorrência também nesta área. O que está em causa é, acima de tudo, o valor da liberdade de ensino, que supõe a liberdade de escolha entre vários modelos. E os vários modelos em confronto não refletem apenas o maior ou menor sucesso de uns ou outros, nem simples diferenças de técnicas pedagógicas, refletem também diferentes propostas quanto à visão da pessoa humana e da sua vocação, incluindo na sua dimensão religiosa. É fundamentalmente este aspeto que confere a maior relevância ao princípio, consagrado no artigo 26.º, n.º 3, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de que «aos pais compete a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos».
            Nesta linha, proclama a Carta dos Direitos da Família (apresentada há trinta anos pela Santa Sé a todo o mundo), no seu artigo 5.º, b), que «os pais têm o direito de escolher livremente as escolas ou outros meios necessários para educar os seus filhos, em conformidade com as suas convicções. Os poderes públicos, ao repartiram os subsídios públicos, devem fazer de tal forma que os pais fiquem verdadeiramente livres de exercer este direito sem terem que se sujeitar a ónus injustos.»  
            Não se trata de desvalorizar a escola pública. Esta não há-de desaparecer, como não desapareceu em nenhum dos países acima referidos. O Estado mantém responsabilidades neste campo, só deixa de atuar em monopólio e passa a fazê-lo de forma concorrente ou supletiva. Haverá quem, no exercício da sua liberdade, opte por escolas estatais e haverá muitos locais onde não chegam iniciativas particulares e tem de chegar o Estado.
            Quem reconheça mais vantagens na escola pública, pelo seu pluralismo e suposta neutralidade, continuará a ter o direito de por ela optar. Mas quem considere que essa neutralidade não existe, é apenas aparente ou se traduz em relativismo, ou que a irrelevância da dimensão religiosa da pessoa torna qualquer ensino truncado e incompleto, também há-de poder optar por outro tipo de escolas. Estas podem propor (sem impor) um ensino de inspiração cristã ou outra, mas não são necessariamente fechadas a pessoas de outras convicções.
            Muitas vezes se associa o ensino não estatal a uma classe socialmente privilegiada. Essa classe é a que hoje, em Portugal e com poucas exceções, pode beneficiar desta tão importante liberdade de escolha. Qualquer proposta que, através do financiamento público das escolas ou das próprias famílias, permita alargar essa liberdade de escolha a qualquer família, independentemente dos seus recursos, contribui para reduzir a injustiça social do sistema que entre nós vigora.
            Esta injustiça tem levado a que se diga da liberdade de ensino que é, entre nós, a “última das liberdades”, ou seja, a que, em quase quarenta anos de democracia, ainda aguarda o seu pleno exercício por todas as famílias. É sabido como, historicamente, os regimes políticos totalitários sempre pretenderam substituir as famílias através do doutrinamento das gerações jovens com recurso ao ensino estatal. Só a liberdade de ensino afasta definitivamente esse risco e respeita cabalmente os direitos da família.



                                                                   Pedro Vaz Patto                    

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

D. JOAQUIM GONÇALVES


FALECEU O SENHOR DOM JOAQUIM GONÇALVES

BISPO EMÉRITO DA DIOCESE DE VILA REAL


Faleceu hoje, pelas 16.00h, na Póvoa de Varzim, onde residia com o irmão padre e uma irmã, enfermeira aposentada, vítima de ataque cardíaco.

Naturalidade

Nasceu aos 17.05.1936 na freguesia de Revelhe (lugar de Cortegaça, concelho de Fafe, Arquidiocese e Distrito de Braga, filho de António Gonçalves e de Albertina Rodrigues Ferreira e Melo, sendo o terceiro de oito filhos.
Na aldeia fez a escola primária.

Estudos

Desde 1948 a 1960 frequentou e concluiu os cursos de Humanidades, Filosofia e Teologia nos Seminários Arquidiocesanos de Braga, sendo ordenado Presbítero aos 10.07.1960, na capela do Seminário Conciliar de Braga.
Nesse mesmo ano foi nomeado Coadjutor da paróquia de S. José de Ribamar – Póvoa de Varzim, e professor de Educação Moral e Religiosa Católica no então Liceu Eça de Queiroz até 1976, sendo também Assistente local do CNE (Escutismo Católico Português) e das ENS (Equipas de Nossa Senhora) e do CPM (Centro de Preparação para o Matrimónio), deste em plano nacional.
Em 1974 licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, disciplina que leccionou nas Escolas Secundárias de Barcelos, Eça de Queiroz na Póvoa de Varzim e Sá de Mirande em Braga, de que foi professor efectivo.

Vida episcopal

Em 18 de Outubro de 1981, na cripta da Basílica do Sameiro (Braga, foi ordenado Bispo Auxiliar de Braga, com o título de Ursona (Osuna, cidade vizinha de Sevilha), sendo o primeiro bispo natural do concelho de Fafe.
Trabalhou na Arquidiocese até 1987 e em Maio desse ano foi nomeado Bispo Coadjutor de Vila Real, de que tomou posse canónica  aos 24.061987, e onde entrou solenemente aos 28 do mês de Junho desse ano.
A 18.01.1991 tornou-se o 4.º Bispo da Diocese.
Na Conferência Episcopal Portuguesa foi membro da “Comissão Episcopal das Migrações e Turismo”,da “Comissão Episcopal de Liturgia e Presidente da Comissão Episcopal das Missões”e fez parte do Conselho Superior da Universidade Católica Portuguesa
Em 13.10.1987, ainda Bispo Coadjutor, dava início à publicação da IGREJA DIOCESANA - Folha de Informação e Comunhão Pastoral da Diocese de Vila Real, em folhas fotocopiadas. O último número  data de Dezembro de 1993. Reapareceria mais tarde com o mesmo título, como Jornal trimestral e ainda continua..
Organizador e organizado, em Abril de 1989 publicava os Estatutos do Arciprestado, acompanhou muito de perto a revisão dos Estatutos do Conselho Presbiteral, publicados na segunda versão e a primeira depois da publicação do novo Código de Direito Canónico, em 1989, aprovados pelo senhor D. António Cardoso Cunha. Promoveu festa de homenagem e despedida ao senhor D. António Cardoso Cunha, em 16 de Fevereiro de 1991, que, devido às disposições conciliares, pediu a resignação aos 75 anos e lhe seria concedida a 19 de Janeiro 1991.
O Centro Católico de Cultura seria criado em Novembro de 1991; em Junho de 1991 foram os Estatutos do Conselho Económico Paroquial.
Citemos ainda os Planos de Pastoral, com sugestões para as próprias actividades a realizar, ao longo de vários anos.
Para o Clero instituiu as recolecções mensais, o Dia de Retiro no princípio da Quaresma e animou a construção da Casa para o Clero idoso ou doente.

Trabalhos publicados

Durante os anos de vida académica colaborou nos jornais rgionais: Povo de Fafe e Diário do Minho, e já sacerdote, no Seminário Ala Arriba da Póvoa do Varzim, e na revista de pastoral Celebração Litúrgica (Braga).
Publicou no «Boletim do CPM» um trabalho de pastoral social sobre “A Dimensão Social do Matrimónio” e um outro sobre “O Apostolado do Doente” no II Congresso de Problemas de Apostolado, em Braga.
Do seu magistério episcopal há algumas homilias publicadas no Boletim oficial da Arquidiocese de Braga – “Acção Católica” e tem colaboração variada, ao longo dos vários anos de Bispo em Vila Real, no semanário “A Voz de Trás-os-Montes” e, muitas vezes, no pequenino Boletim “Ave Maria”.
Publicou, por ocasião dos 75 anos da Diocese, a Pastoral «Um Povo em Festa», na Páscoa de 1993, a reflexão pastoral sobre as Festas Religiosas – texto de reflexão e normativo e um livrinho, muito simples, acessível a todos, sobre o Baptismo.
Possui inéditos alguns textos poéticos, um deles – A Noiva do Marão – musicado para uma cantata por J. Santos e executada em Roma,  A Travessia – poema Transmontano – por ocasião do”XXV aniversário da minha Ordenação”, em 18 de Outubro de 2006, em oratória, publicada em livro e em CD, executada em Roma (onde foi gravada) e em todos os concelhos da Diocese. .
Lembremos ainda os opúsculos sobre os Vitrais da Catedral, sobre a Igreja do Carmo, em Vila Real e o Outro Jonas onde revive a experiência da passagem à vida, quando do transplante.

Não é possível referenciar tudo… tão vasta e variada é a sua obra.

Homem experimentado no sofrimento

Quando veio para Vila Real, acompanhava-o uma preocupação: a sinusite que o perseguia desde há anos. E, de facto, numa das primeiras noites sentiu-se mal. Chamado o médico do Seminário, o já falecido Dr. Campos (Filho) disse-lhe: “Senhor Bispo, não se trata de sinusite, ou eu me engano muito ou é do coração. Consulte quanto antes um bom cardiologista. Olhe que as coisas não estão bem”. E no dia seguinte foi ao Porto e já não voltou para Vila Real sem a operação às coronárias. A 12 de Janeiro de 2008, é novamente operado, desta vez para receber o transplante, o 1.º em Portugal numa pessoa com idade tão avançada. Foi o sucesso que lhe permitiu viver até hoje.

A Igreja e a Diocese perdem um grande bispo, de palavra fácil, bom comunicador, com grande capacidade de adaptação ao auditório, acessível à gente mais simples, com um sentido muito grande de pastoral.

Senhor Dom Joaquim, a Diocese de Vila Real está-lhe muito grata e pede ao Senhor da Messe e Cabeça da Igreja que lhe abra as portas do seu Reino. 



Vila Real, 31 de Dezembro de 2013

sábado, 14 de dezembro de 2013

MENSAGEM DE NATAL DO SENHOR BISPO DE VILA REAL


Apóstolos captados e marcados pela alegria de Jesus Cristo

Diz o Papa, na recente Exortação Apostólica Pós-Sinodal que a “Alegria do Evangelho”, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária (n.21). De facto, a Boa Nova de Cristo, gratifica, é digna de crédito, fecunda e base da esperança, que se alicerça na Palavra de Deus que interpela, nos leva para fora de nós, a acolher e a anunciar o dom recebido do amor, que sempre comunicável, convidativo, que leva ao êxodo, à saída, ao dom de si, enriquecendo quem o dá e quem o recebe.
1. - A Igreja de Deus, enviada, por Cristo, em missão e animada, pelo Espírito, escuta, recebe, vive, anuncia e espelha a alegria messiânica da libertação, vinda de Deus, para mover os corações e ser transmitida, por irradiação e contágio. Esta alegria salvífica faz parte do núcleo do mistério do Natal e foi anunciada à Virgem Maria e aos pastores. Os discípulos de Jesus comunicam-na, após a Páscoa, para que todos a transmitam e a recebam, crendo e beneficiando da eficácia da morte e ressurreição do Senhor, que se revela, no júbilo e união da Igreja, que vive da fé no Ressuscitado, na esperança do Seu retorno. Certos de Jesus estar vivo e dar a vida e a glória do Pai, como as testemunhas oculares, repletos de alegria anunciamos o júbilo e a esperança da Vinda do Senhor. Os discípulos que sucedem aos Apóstolos e ás testemunhas oculares transmitem a alegria do testemunho recebido, dando de graça o que de graça receberam, fiéis e obedientes ao mandato missionário do Ressuscitado que enviou amigos, seguidores e discípulos, pelo mundo inteiro, a testemunhar a maravilha do Seu amor e a grande alegria da Sua Vinda e Ressurreição: “Ide, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo o que vos tenho mandado” (Mt 28, 19-20).
A Igreja de Cristo vive, sempre, em êxodo, de saída para as periferias, ao encontro dos homens necessitados, famintos da verdade e amor, que só Cristo lhes assegura. Ele é o amor e a verdade, por excelência, que está no seio do Pai, donde provém, para, por Ele e n’Ele, obtermos a vida divina, que é dada aos que crêem no Filho de Deus. A Sua vinda, morte e gloriosa ressurreição são a razão de ser da perene alegria e salvação. Esta grande alegria, que muda e converte os corações, é evangelizadora, transmite o evangelho da libertação, a grata e boa notícia vinda até nós, a modificar e aperfeiçoar tudo e a dar esperança e sentido à vida humana e terrena.
2.- A Palavra de Deus, que ilumina e interpela o homem, convida-o, sempre, a sair de si e da casa, a deixar-se a si mesmo, a descentrar-se, a despojar-se e a ir ao encontro do outro e da terra, que Deus promete, mostra e assegura, como dom da Sua bondade. Assim sucedeu, com Abraão, Moisés e os Profetas, convidados a deixar a terra, a ir e a sair, rumo à terra que Deus lhes prometeu e para a missão, que lhes confiou. Como diz o Papa: “somos chamados a aceitar o convite a sair da comodidade e à coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (n. 20).  
Deus tem, sempre, a iniciativa, está e deve estar, sempre, em primeiro lugar, devendo o discípulo de Cristo ser devorado pelo desejo de tornar Deus conhecido e amado, dando a conhecer o Seu divino Filho e nosso Salvador, Mestre e Senhor. A alegria, que foi anunciada, pelos Anjos aos pastores de Belém e vivida pelos Discípulos, que viram Jesus Ressuscitado, nasce e expande-se, graças ao encontro, na doce intimidade e união, com o Ressuscitado. A alegria provém do encontro com Deus, do Seu amor que nos toca, que de nós se apodera e que nos amou primeiro.
3.- A Igreja de Deus, enviada pelo Ressuscitado a fazer discípulos, a baptizar, ensinar e dar testemunho do mistério do amor de Deus, manifestado, em Seu Filho, que desceu dos céus, para procurar e salvar os doentes, perdidos e pecadores, não se deve fechar em si mesma, acabrunhada, a anunciar a morte e o desespero, sempre triste, depois do Seu Mestre, Senhor e Esposo, livremente, se ter entregado, por nós, em redenção, fazendo o bem e assegurando ao mundo a esperança e a alegria.
As Paróquias e Famílias devem ser escola, púlpito, espaço de comunhão e participação e criar proximidade e solidariedade das pessoas, formando os agentes da missionação e transmitindo aos outros a vivência e o anúncio de Cristo. É Cristo, que, pelo Seu Espírito, nos galvaniza, move e suscita, em nós, a alegria messiânica, que provém da Fé na Encarnação, Vida, Morte e Ressurreição do Filho de Deus glorificado que está connosco, vive e actua na Igreja, irradiando a alegria e a caridade de Deus, no mundo.
4.- Já, em pleno Advento, à espera do Natal, na Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santíssima, padroeira da Diocese, que é o pré-anúncio e a aurora da Vinda e da Encarnação do Filho de Deus, exorto a anunciar, testemunhar e a fazer discípulos de Cristo. Peço, para colocar os bens salvíficos, que Deus nos dá, em prol dos que vivem nas periferias da ignorância, do abandono, da solidão, do desespero e da pobreza material, moral e espiritual, cientes de que a Luz de Deus brilha, nas trevas, para ser recebida e tornar filhos e herdeiros, não nascidos da carne, do sangue ou da vontade humana, mas de Deus (Jo 1,13), a fim de que a Sua de Cristo, que, em nós, se espelha, brilhe diante dos homens e todos se congreguem na glória e alegria de Deus Pai.
Desejo aos caros Diocesanos a alegria, a paz e as bênçãos, que os Anjos comunicaram aos pastores de Belém, para que o Evangelho de Jesus converta as consciências e os corações, participando da glória e dos frutos da Sua vinda, dando aos outros o nosso testemunho de amor fraterno, na alegria redentora da missão cristã.

+ Amândio José Tomás, bispo de Vila Real

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

AS TRÊS VINDAS DE CRISTO


         No tempo que nos conduz ao Natal, temos sempre como pano de fundo as duas vindas de Cristo de que nos fala o Novo Testamento: a sua vinda no tempo histórico determinado por Deus e a sua segunda vinda (a Parusia), da qual não sabemos o dia nem a hora. Sobre esta segunda vinda, reza um dos prefácios eucarísticos do Advento:
Vós nos escondestes o dia e a hora,
em que Jesus Cristo, vosso Filho,
Senhor e juiz da história,
aparecerá sobre as nuvens do céu
            revestido de poder e majestade.
Nesse dia tremendo e glorioso,
Passará o mundo presente
E aparecerão os novos céus e a nova terra.
Entre estas duas vindas, situa-se aquela que acontece na vida da Igreja, em cada um dos seus membros, iluminando e fortalecendo o seu dia a dia. Essa não tem lugar nem tempo marcado, nem é esperada para o fim dos tempos, mas dá-se sempre que nós, tocados pelo sopro do Espírito, deixamos que Cristo entre e tome conta da nossa vida. Ele avisa-nos da sua chegada e pede que o recebamos: “Olha que Eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3, 20). Falando desta vinda presente, o mesmo prefácio continua:
Agora Ele vem ao nosso encontro,
em cada homem e em cada tempo,
para que O recebamos na fé e na caridade
e demos testemunho da gloriosa esperança do seu reino.
Se olharmos de novo para o texto de Ap 3, 20, ao qual poderíamos juntar outros, como por exemplo Lc 24, 13-35 (o encontro do Ressuscitado com os discípulos de Emaús), damo-nos conta de que aquele que venceu a morte, também agora, no momento presente, nos quer fazer participantes do banquete do seu Reino, o qual tem a sua expressão terrena na Eucaristia. É nela que Jesus Cristo ressuscitado se torna presente, irrompendo com toda a sua força para nos ajudar a cristificar a vida. Nela afirmamos convictamente “Ele está no meio de nós”, mas tal asserção de fé só se torna real se levarmos a sério a Eucaristia.
Em tal contexto litúrgico e vital, o sacerdote cristão aparece como aquele que torna actual esta presença eucarística de Cristo. Sem sacerdócio não existiria Eucaristia, mas também sem Eucaristia o sacerdócio não teria razão de ser, nem sequer existiria a Igreja (cf. João Paulo II, A Igreja vive da Eucaristia, caps. II e III). Neste mistério radica a grandeza do sacerdócio e ao mesmo tempo a sua condição de serviço humilde à Igreja, que torna possível a presença luminosa e operante de Cristo em cada baptizado. Daqui deriva também a gratidão profunda que todos os fiéis cristãos, que participam do sacerdócio baptismal, devem ter para com Cristo, que lhes doou o sacerdócio ministerial.
A gratidão de que acabámos de falar não nos pode levar  a pensar no sacerdócio cristão como constitutivo duma casta que tudo sabe e detém todo o poder, à maneira do sacerdócio judaico do tempo de Jesus. A este propósito, são oportunísimas as palavras de Bento XVI, na sua carta aos sacerdotes: «Neste contexto, há que recordar o caloroso e encorajador convite feito pelo Concílio Vaticano II aos presbíteros para que "reconheçam e promovam sinceramente a dignidade e participação própria dos leigos na missão da Igreja. Estejam dispostos a ouvir os leigos, tendo fraternalmente em conta os seus desejos, reconhecendo a experiência e competência deles nos diversos campos da actividade humana, para que, juntamente com eles, saibam reconhecer os sinais dos tempos"».
Reconhecer os sinais dos tempos: eis um grande desafio lançado a toda a Igreja e, por ela, ao mundo de hoje.

NOTA: A este propósito, recomendamos a leitura do Sermão de São Bernardo que hoje nos é proposto na Liturgia das Horas (ofício de leitura da quarta-feira da primeira semana do Advento).