“A RESSURREIÇÃO DE JESUS E A NOSSA RESSURREIÇÃO”
FORMAÇÃO PERMANENTE DO CLERO
Auditório - Seminário de Vila Real
17-20 de Fevereiro de 2014
Segunda - 17 de fevereiro - Porto
10.15h - Conferência: JESUS RESSUSCITADO NO HORIZONTE HISTÓROCO DO SABER DA FÉ
11.30h - Conferência: JESUS RESSUSCITADO, ATUALIDADE DO EVENTO
15.00h - Conferência: LEITURA MEDITADA DE TEXTOS DA RESSURREIÇÃO
Prof. Doutor Pierangelo Sequeri
Prof. Doutor Pierangelo Sequeri
Prof. Doutor D. António Couto
Terça - 18 de fevereiro - Vila Real
10.00h - Oração de Laudes
10.30h - Conferência: A RESSURREIÇÃO DE JESUS E A NOSSA ENTRE O SINAL E O DESEJO
Prof. Doutor José Carlos Carvalho
Debate
14.30h - Oração da Hora Intermédia
Conferência: A RESSURREIÇÃO NA RECONCILIAÇÃO E NA PRÁTICA TERAPÊUTICA
Prof. Doutor José Carlos Carvalho
Debate
Quarta - 19 de fevereiro - Vila Real
10.00h - Oração de Laudes
10.30h - Conferência: O PROBLEMA DA RESSURREIÇÃONA CULTURA BÍBLICA
Prof. Doutor Andres Torres Queiruga
Debate
14.30h - Hora Intermédia
Conferência: A INTERPRETAÇÃO DA RESSURREIÇÃO NA CULTURA ATUAL
Prof. Doutor Andres Torres Queiruga
Debate
Quinta - 20 de fevereiro - Vila Real
10.00h - Oração de Laudes
10.30h - Conferência: O MISTÉRIO PASCAL NO RITUAL DAS EXÉQUIAS
Dr. João Peixoto
Debate
14.30h - Hora Intermédia
Conferência: O MISTÉRIO PASCAL NO RITUAL DAS EXÉQUIAS:
Dr. João Peixoto
Debate
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES PASTORAIS
16.00h - Memória evocativa de D. José de Aquino Pereira, antigo aluno do Seminário (1931-1937) e
bispo no Brasil (1958-2011).
Encerramento: Senhor D. Amândio José Tomás
O Centro Católico de Cultura da Diocese de Vila Real saúda cordialmente todos os visitantes. Estamos ao serviço da Igreja em ordem à formação permanente dos cristãos. Além de divulgarmos as iniciativas que vamos tomando para a evangelização e aprofundamento da fé, estaremos atentos às notícias e expressões culturais do tempo em que vivemos, procurando promover um verdadeiro e frutuoso diálogo entre a fé e a cultura. Boa visita. O responsável, Padre Manuel da Silva Coutinho
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
INÍCIO DO SEGUNDO TRIMESTRE DA EDEF
O CENTRO CATÓLICO DE CULTURA INFORMA QUE AS ACTIVIDADES LECTIVAS DA EDEF (ESCOLA DIOCESANA DE EDUCAÇÃO DA FÉ) RECOMEÇARÃO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA, DIA 10 DE JANEIRO, ÀS 21 HORAS, COM UMA CONFERÊNCIA PELO PADRE PAULO MALÍCIA, DIRECTOR DA CATEQUESE E DA PASTORAL ESCOLAR DO PATRIARCADO DE LISBOA.
A CONFERÊNCIA TERÁ COMO TÍTULO "A PALAVRA DE DEUS: FONTE DA VIDA E DA MISSÃO DA IGREJA" E É DESTINADA A TODOS OS PARTICIPANTES DO CURSO, DE VILA REAL E DE CHAVES: CATEQUISTAS E ANIMADORES DE GRUPOS DE ESTUDO E ORAÇÃO BÍBLICA. É TAMBÉM ABERTA A TODOS OS QUE, DAS NOSSAS PARÓQUIAS E MOVIMENTOS DE APOSTOLADO, QUEIRAM COMPARECER.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
A ÚLTIMA DAS LIBERDADES
Têm sido muito discutidos
anunciados projetos governamentais que tendem a dar às famílias a oportunidade
de optar, sem maiores encargos financeiros, entre escolas estatais e não
estatais.
Esta
discussão tem assumido contornos marcadamente ideológicos, dividindo a direita
e a esquerda. Não é assim em países em que, desde há muito (como a Bélgica e a
Holanda) ou mais recentemente (como a Suécia), vigoram sistemas como os que agora
são propostos e que aí recolhem consensos que ultrapassam as querelas
ideológicas entre direita e esquerda.
Contra
esses sistemas, tem-se dito entre nós que favorecerem as escolas privadas em
detrimento das públicas, sendo que estas representam um espaço privilegiado de
convívio pluralista e socialmente diversificado, quando as primeiras contribuem
para a segregação social e religiosa.
Este
tipo de críticas esquece o princípio básico que nesta matéria está em jogo. Não
se trata de favorecer escolas privadas em detrimento das públicas, nem de
colocar umas e outras em confronto, como se umas fossem sistematicamente
melhores do que as outras. Nem se trata, apenas ou fundamentalmente, de colher
os benefícios da concorrência também nesta área. O que está em causa é, acima
de tudo, o valor da liberdade de ensino, que supõe a liberdade de escolha entre
vários modelos. E os vários modelos em confronto não refletem apenas o maior ou
menor sucesso de uns ou outros, nem simples diferenças de técnicas pedagógicas,
refletem também diferentes propostas quanto à visão da pessoa humana e da sua
vocação, incluindo na sua dimensão religiosa. É fundamentalmente este aspeto
que confere a maior relevância ao princípio, consagrado no artigo 26.º, n.º 3,
da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de que «aos pais compete a prioridade
do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos».
Nesta
linha, proclama a Carta dos Direitos da Família (apresentada há trinta anos
pela Santa Sé a todo o mundo), no seu artigo 5.º, b), que «os pais têm o
direito de escolher livremente as escolas ou outros meios necessários para
educar os seus filhos, em conformidade com as suas convicções. Os poderes
públicos, ao repartiram os subsídios públicos, devem fazer de tal forma que os
pais fiquem verdadeiramente livres de exercer este direito sem terem que se
sujeitar a ónus injustos.»
Não
se trata de desvalorizar a escola pública. Esta não há-de desaparecer, como não
desapareceu em nenhum dos países acima referidos. O Estado mantém
responsabilidades neste campo, só deixa de atuar em monopólio e passa a fazê-lo
de forma concorrente ou supletiva. Haverá quem, no exercício da sua liberdade,
opte por escolas estatais e haverá muitos locais onde não chegam iniciativas
particulares e tem de chegar o Estado.
Quem
reconheça mais vantagens na escola pública, pelo seu pluralismo e suposta
neutralidade, continuará a ter o direito de por ela optar. Mas quem considere
que essa neutralidade não existe, é apenas aparente ou se traduz em
relativismo, ou que a irrelevância da dimensão religiosa da pessoa torna
qualquer ensino truncado e incompleto, também há-de poder optar por outro tipo
de escolas. Estas podem propor (sem impor) um ensino de inspiração cristã ou
outra, mas não são necessariamente fechadas a pessoas de outras convicções.
Muitas
vezes se associa o ensino não estatal a uma classe socialmente privilegiada.
Essa classe é a que hoje, em Portugal e com poucas exceções, pode beneficiar
desta tão importante liberdade de escolha. Qualquer proposta que, através do
financiamento público das escolas ou das próprias famílias, permita alargar
essa liberdade de escolha a qualquer família, independentemente dos seus
recursos, contribui para reduzir a injustiça social do sistema que entre nós
vigora.
Esta
injustiça tem levado a que se diga da liberdade de ensino que é, entre nós, a
“última das liberdades”, ou seja, a que, em quase quarenta anos de democracia, ainda
aguarda o seu pleno exercício por todas as famílias. É sabido como,
historicamente, os regimes políticos totalitários sempre pretenderam substituir
as famílias através do doutrinamento das gerações jovens com recurso ao ensino
estatal. Só a liberdade de ensino afasta definitivamente esse risco e respeita
cabalmente os direitos da família.
Pedro Vaz Patto
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
D. JOAQUIM GONÇALVES
FALECEU O SENHOR DOM JOAQUIM GONÇALVES
BISPO EMÉRITO DA DIOCESE DE VILA REAL
Faleceu hoje,
pelas 16.00h, na Póvoa de Varzim, onde residia com o irmão padre e uma irmã,
enfermeira aposentada, vítima de ataque cardíaco.
Naturalidade
Nasceu aos
17.05.1936 na freguesia de Revelhe (lugar de Cortegaça, concelho de Fafe,
Arquidiocese e Distrito de Braga, filho de António Gonçalves e de Albertina
Rodrigues Ferreira e Melo, sendo o terceiro de oito filhos.
Na aldeia fez a
escola primária.
Estudos
Desde 1948 a
1960 frequentou e concluiu os cursos de Humanidades, Filosofia e Teologia nos
Seminários Arquidiocesanos de Braga, sendo ordenado Presbítero aos 10.07.1960,
na capela do Seminário Conciliar de Braga.
Nesse mesmo ano
foi nomeado Coadjutor da paróquia de S. José de Ribamar – Póvoa de Varzim, e
professor de Educação Moral e Religiosa Católica no então Liceu Eça de Queiroz
até 1976, sendo também Assistente local do CNE (Escutismo Católico Português) e
das ENS (Equipas de Nossa Senhora) e do CPM (Centro de Preparação para o
Matrimónio), deste em plano nacional.
Em 1974
licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto,
disciplina que leccionou nas Escolas Secundárias de Barcelos, Eça de Queiroz na
Póvoa de Varzim e Sá de Mirande em Braga, de que foi professor efectivo.
Vida episcopal
Em 18 de
Outubro de 1981, na cripta da Basílica do Sameiro (Braga, foi ordenado Bispo
Auxiliar de Braga, com o título de Ursona (Osuna, cidade vizinha de Sevilha),
sendo o primeiro bispo natural do concelho de Fafe.
Trabalhou na
Arquidiocese até 1987 e em Maio desse ano foi nomeado Bispo Coadjutor de Vila
Real, de que tomou posse canónica aos
24.061987, e onde entrou solenemente aos 28 do mês de Junho desse ano.
A 18.01.1991
tornou-se o 4.º Bispo da Diocese.
Na Conferência
Episcopal Portuguesa foi membro da “Comissão
Episcopal das Migrações e Turismo”,da “Comissão
Episcopal de Liturgia e Presidente da Comissão Episcopal das Missões”e fez
parte do Conselho Superior da
Universidade Católica Portuguesa
Em 13.10.1987,
ainda Bispo Coadjutor, dava início à publicação da IGREJA DIOCESANA - Folha de Informação e Comunhão Pastoral da
Diocese de Vila Real, em folhas fotocopiadas. O último número data de Dezembro de 1993. Reapareceria mais
tarde com o mesmo título, como Jornal trimestral e ainda continua..
Organizador e
organizado, em Abril de 1989 publicava os Estatutos
do Arciprestado, acompanhou muito de perto a revisão dos Estatutos do Conselho Presbiteral, publicados na
segunda versão e a primeira depois da publicação do novo Código de Direito
Canónico, em 1989, aprovados pelo senhor D. António Cardoso Cunha. Promoveu
festa de homenagem e despedida ao senhor D. António Cardoso Cunha, em 16 de
Fevereiro de 1991, que, devido às disposições conciliares, pediu a resignação
aos 75 anos e lhe seria concedida a 19 de Janeiro 1991.
O Centro Católico de Cultura seria
criado em Novembro de 1991; em
Junho de 1991 foram os Estatutos do
Conselho Económico Paroquial.
Citemos ainda
os Planos de Pastoral, com sugestões
para as próprias actividades a realizar, ao longo de vários anos.
Para o Clero
instituiu as recolecções mensais, o Dia de Retiro no princípio da Quaresma e
animou a construção da Casa para o Clero idoso ou doente.
Trabalhos publicados
Durante os anos
de vida académica colaborou nos jornais rgionais: Povo de Fafe e Diário do
Minho, e já sacerdote, no Seminário Ala
Arriba da Póvoa do Varzim, e na revista de pastoral Celebração Litúrgica (Braga).
Publicou no «Boletim do CPM» um trabalho de pastoral
social sobre “A Dimensão Social do
Matrimónio” e um outro sobre “O Apostolado do Doente” no II Congresso de
Problemas de Apostolado, em Braga.
Do seu
magistério episcopal há algumas homilias publicadas no Boletim oficial da
Arquidiocese de Braga – “Acção Católica”
e tem colaboração variada, ao longo dos vários anos de Bispo em Vila Real, no
semanário “A Voz de Trás-os-Montes”
e, muitas vezes, no pequenino Boletim “Ave
Maria”.
Publicou, por
ocasião dos 75 anos da Diocese, a Pastoral «Um
Povo em Festa», na Páscoa de 1993, a reflexão pastoral sobre as Festas Religiosas – texto de reflexão e
normativo e um livrinho, muito simples, acessível a todos, sobre o Baptismo.
Possui inéditos
alguns textos poéticos, um deles – A
Noiva do Marão – musicado para uma cantata por J. Santos e executada em
Roma, A Travessia – poema Transmontano – por ocasião do”XXV aniversário da minha Ordenação”, em
18 de Outubro de 2006, em oratória, publicada em livro e em CD, executada em
Roma (onde foi gravada) e em todos os concelhos da Diocese. .
Lembremos ainda
os opúsculos sobre os Vitrais da
Catedral, sobre a Igreja do Carmo,
em Vila Real e o Outro Jonas onde
revive a experiência da passagem à vida, quando do transplante.
Não é possível
referenciar tudo… tão vasta e variada é a sua obra.
Homem experimentado no sofrimento
Quando veio
para Vila Real, acompanhava-o uma preocupação: a sinusite que o perseguia desde
há anos. E, de facto, numa das primeiras noites sentiu-se mal. Chamado o médico
do Seminário, o já falecido Dr. Campos (Filho) disse-lhe: “Senhor Bispo, não se trata de sinusite, ou eu me engano muito ou é do
coração. Consulte quanto antes um bom cardiologista. Olhe que as coisas não
estão bem”. E no dia seguinte foi ao Porto e já não voltou para Vila Real
sem a operação às coronárias. A 12 de Janeiro de 2008, é novamente operado,
desta vez para receber o transplante, o 1.º em Portugal numa pessoa com idade
tão avançada. Foi o sucesso que lhe permitiu viver até hoje.
A Igreja e a
Diocese perdem um grande bispo, de palavra fácil, bom comunicador, com grande
capacidade de adaptação ao auditório, acessível à gente mais simples, com um
sentido muito grande de pastoral.
Senhor Dom Joaquim, a Diocese de Vila
Real está-lhe muito grata e pede ao Senhor da Messe e Cabeça da Igreja que lhe
abra as portas do seu Reino.
Vila Real, 31
de Dezembro de 2013
sábado, 14 de dezembro de 2013
MENSAGEM DE NATAL DO SENHOR BISPO DE VILA REAL
Apóstolos captados e
marcados pela alegria de Jesus Cristo
Diz o Papa, na recente Exortação Apostólica Pós-Sinodal que a
“Alegria do Evangelho”, que enche a vida
da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária (n.21). De facto, a
Boa Nova de Cristo, gratifica, é digna de crédito, fecunda e base da esperança,
que se alicerça na Palavra de Deus que interpela, nos leva para fora de nós, a
acolher e a anunciar o dom recebido do amor, que sempre comunicável,
convidativo, que leva ao êxodo, à saída, ao dom de si, enriquecendo quem o dá e
quem o recebe.
1. - A Igreja de Deus, enviada, por Cristo, em missão e animada,
pelo Espírito, escuta, recebe, vive, anuncia e espelha a alegria messiânica da
libertação, vinda de Deus, para mover os corações e ser transmitida, por
irradiação e contágio. Esta alegria salvífica faz parte do núcleo do mistério
do Natal e foi anunciada à Virgem Maria e aos pastores. Os discípulos de Jesus comunicam-na,
após a Páscoa, para que todos a transmitam e a recebam, crendo e beneficiando
da eficácia da morte e ressurreição do Senhor, que se revela, no júbilo e união
da Igreja, que vive da fé no Ressuscitado, na esperança do Seu retorno. Certos
de Jesus estar vivo e dar a vida e a glória do Pai, como as testemunhas
oculares, repletos de alegria anunciamos o júbilo e a esperança da Vinda do
Senhor. Os discípulos que sucedem aos Apóstolos e ás testemunhas oculares
transmitem a alegria do testemunho recebido, dando de graça o que de graça
receberam, fiéis e obedientes ao mandato missionário do Ressuscitado que enviou
amigos, seguidores e discípulos, pelo mundo inteiro, a testemunhar a maravilha
do Seu amor e a grande alegria da Sua Vinda e Ressurreição: “Ide, fazei discípulos de todos os povos,
baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a
cumprir tudo o que vos tenho mandado” (Mt 28, 19-20).
A Igreja de Cristo vive, sempre, em êxodo, de saída para as
periferias, ao encontro dos homens necessitados, famintos da verdade e amor,
que só Cristo lhes assegura. Ele é o amor e a verdade, por excelência, que está
no seio do Pai, donde provém, para, por Ele e n’Ele, obtermos a vida divina,
que é dada aos que crêem no Filho de Deus. A Sua vinda, morte e gloriosa ressurreição
são a razão de ser da perene alegria e salvação. Esta grande alegria, que muda e
converte os corações, é evangelizadora, transmite o evangelho da libertação, a
grata e boa notícia vinda até nós, a modificar e aperfeiçoar tudo e a dar
esperança e sentido à vida humana e terrena.
2.- A Palavra de Deus, que ilumina e interpela o homem,
convida-o, sempre, a sair de si e da casa, a deixar-se a si mesmo, a descentrar-se,
a despojar-se e a ir ao encontro do outro e da terra, que Deus promete, mostra
e assegura, como dom da Sua bondade. Assim sucedeu, com Abraão, Moisés e os
Profetas, convidados a deixar a terra, a ir e a sair, rumo à terra que Deus
lhes prometeu e para a missão, que lhes confiou. Como diz o Papa: “somos chamados a aceitar o convite a sair da
comodidade e à coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do
Evangelho” (n. 20).
Deus tem, sempre, a iniciativa, está e deve estar, sempre, em
primeiro lugar, devendo o discípulo de Cristo ser devorado pelo desejo de tornar
Deus conhecido e amado, dando a conhecer o Seu divino Filho e nosso Salvador,
Mestre e Senhor. A alegria, que foi anunciada, pelos Anjos aos pastores de
Belém e vivida pelos Discípulos, que viram Jesus Ressuscitado, nasce e
expande-se, graças ao encontro, na doce intimidade e união, com o Ressuscitado.
A alegria provém do encontro com Deus, do Seu amor que nos toca, que de nós se
apodera e que nos amou primeiro.
3.- A Igreja de Deus, enviada pelo Ressuscitado a fazer
discípulos, a baptizar, ensinar e dar testemunho do mistério do amor de Deus,
manifestado, em Seu Filho, que desceu dos céus, para procurar e salvar os doentes,
perdidos e pecadores, não se deve fechar em si mesma, acabrunhada, a anunciar a
morte e o desespero, sempre triste, depois do Seu Mestre, Senhor e Esposo,
livremente, se ter entregado, por nós, em redenção, fazendo o bem e assegurando
ao mundo a esperança e a alegria.
As Paróquias e Famílias devem ser escola, púlpito, espaço de
comunhão e participação e criar proximidade e solidariedade das pessoas, formando
os agentes da missionação e transmitindo aos outros a vivência e o anúncio de
Cristo. É Cristo, que, pelo Seu Espírito, nos galvaniza, move e suscita, em
nós, a alegria messiânica, que provém da Fé na Encarnação, Vida, Morte e
Ressurreição do Filho de Deus glorificado que está connosco, vive e actua na
Igreja, irradiando a alegria e a caridade de Deus, no mundo.
4.- Já, em pleno Advento, à espera do Natal, na Solenidade da
Imaculada Conceição da Virgem Santíssima, padroeira da Diocese, que é o
pré-anúncio e a aurora da Vinda e da Encarnação do Filho de Deus, exorto a
anunciar, testemunhar e a fazer discípulos de Cristo. Peço, para colocar os
bens salvíficos, que Deus nos dá, em prol dos que vivem nas periferias da
ignorância, do abandono, da solidão, do desespero e da pobreza material, moral
e espiritual, cientes de que a Luz de Deus brilha, nas trevas, para ser
recebida e tornar filhos e herdeiros, não nascidos da carne, do sangue ou da
vontade humana, mas de Deus (Jo 1,13), a fim de que a Sua de Cristo, que, em
nós, se espelha, brilhe diante dos homens e todos se congreguem na glória e
alegria de Deus Pai.
Desejo aos caros Diocesanos a alegria, a paz e as bênçãos, que
os Anjos comunicaram aos pastores de Belém, para que o Evangelho de Jesus
converta as consciências e os corações, participando da glória e dos frutos da
Sua vinda, dando aos outros o nosso testemunho de amor fraterno, na alegria redentora
da missão cristã.
+ Amândio José Tomás, bispo de Vila Real
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
AS TRÊS VINDAS DE CRISTO
No tempo que nos conduz ao Natal, temos sempre como pano de fundo as duas vindas de Cristo de que nos fala o Novo Testamento: a sua vinda no tempo histórico determinado por Deus e a sua segunda vinda (a Parusia), da qual não sabemos o dia nem a hora. Sobre esta segunda vinda, reza um dos prefácios eucarísticos do Advento:
Vós nos escondestes o dia e a hora,
em que Jesus Cristo, vosso Filho,
Senhor e juiz da história,
aparecerá sobre as nuvens do céu
revestido de poder e majestade.
Nesse dia tremendo e glorioso,
Passará o mundo presente
E aparecerão os novos céus e a nova terra.
Entre estas duas vindas, situa-se aquela que acontece na vida da Igreja, em cada um dos seus membros, iluminando e fortalecendo o seu dia a dia. Essa não tem lugar nem tempo marcado, nem é esperada para o fim dos tempos, mas dá-se sempre que nós, tocados pelo sopro do Espírito, deixamos que Cristo entre e tome conta da nossa vida. Ele avisa-nos da sua chegada e pede que o recebamos: “Olha que Eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3, 20). Falando desta vinda presente, o mesmo prefácio continua:
Agora Ele vem ao nosso encontro,
em cada homem e em cada tempo,
para que O recebamos na fé e na caridade
e demos testemunho da gloriosa esperança do seu reino.
Se olharmos de novo para o texto de Ap 3, 20, ao qual poderíamos juntar outros, como por exemplo Lc 24, 13-35 (o encontro do Ressuscitado com os discípulos de Emaús), damo-nos conta de que aquele que venceu a morte, também agora, no momento presente, nos quer fazer participantes do banquete do seu Reino, o qual tem a sua expressão terrena na Eucaristia. É nela que Jesus Cristo ressuscitado se torna presente, irrompendo com toda a sua força para nos ajudar a cristificar a vida. Nela afirmamos convictamente “Ele está no meio de nós”, mas tal asserção de fé só se torna real se levarmos a sério a Eucaristia.
Em tal contexto litúrgico e vital, o sacerdote cristão aparece como aquele que torna actual esta presença eucarística de Cristo. Sem sacerdócio não existiria Eucaristia, mas também sem Eucaristia o sacerdócio não teria razão de ser, nem sequer existiria a Igreja (cf. João Paulo II, A Igreja vive da Eucaristia, caps. II e III). Neste mistério radica a grandeza do sacerdócio e ao mesmo tempo a sua condição de serviço humilde à Igreja, que torna possível a presença luminosa e operante de Cristo em cada baptizado. Daqui deriva também a gratidão profunda que todos os fiéis cristãos, que participam do sacerdócio baptismal, devem ter para com Cristo, que lhes doou o sacerdócio ministerial.
A gratidão de que acabámos de falar não nos pode levar a pensar no sacerdócio cristão como constitutivo duma casta que tudo sabe e detém todo o poder, à maneira do sacerdócio judaico do tempo de Jesus. A este propósito, são oportunísimas as palavras de Bento XVI, na sua carta aos sacerdotes: «Neste contexto, há que recordar o caloroso e encorajador convite feito pelo Concílio Vaticano II aos presbíteros para que "reconheçam e promovam sinceramente a dignidade e participação própria dos leigos na missão da Igreja. Estejam dispostos a ouvir os leigos, tendo fraternalmente em conta os seus desejos, reconhecendo a experiência e competência deles nos diversos campos da actividade humana, para que, juntamente com eles, saibam reconhecer os sinais dos tempos"».
Reconhecer os sinais dos tempos: eis um grande desafio lançado a toda a Igreja e, por ela, ao mundo de hoje.
NOTA: A este propósito, recomendamos a leitura do Sermão de São Bernardo que hoje nos é proposto na Liturgia das Horas (ofício de leitura da quarta-feira da primeira semana do Advento).
NOTA: A este propósito, recomendamos a leitura do Sermão de São Bernardo que hoje nos é proposto na Liturgia das Horas (ofício de leitura da quarta-feira da primeira semana do Advento).
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
DESAFIOS PASTORAIS DA FAMÍLIA NO CONTEXTO DA EVANGELIZAÇÃO - DOCUMENTO PREPARATÓRIO
III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos
DESAFIOS PASTORAIS DA FAMÍLIA NO CONTEXTO DA EVANGELIZAÇÃO
DOCUMENTO PREPARATÓRIO
Vaticano 2013
I – O SÍNODO: FAMÍLIA E EVANGELIZAÇÃO
A missão de pregar o Evangelho a cada criatura foi confiada diretamente pelo Senhor aos seus discípulos, e dela a Igreja é portadora na história. Na época em que vivemos, a evidente crise social e espiritual torna-se um desafio pastoral, que interpela a missão evangelizadora da Igreja para a família, núcleo vital da sociedade e da comunidade eclesial.
Propor o Evangelho sobre a família neste contexto é mais urgente e necessário do que nunca. A importância deste tema sobressai do facto que o Santo Padre decidiu estabelecer para o Sínodo dos Bispos um itinerário de trabalho em duas etapas: a primeira, a Assembleia Geral Extraordinária de 2014, destinada a especificar o “status quaestionis” e a recolher testemunhos e propostas dos Bispos para anunciar e viver de maneira fidedigna o Evangelho para a família; a segunda, a Assembleia Geral Ordinária de 2015, em ordem a procurar linhas de ação para a pastoral da pessoa humana e da família.
Hoje perfilam-se problemáticas até há poucos anos inéditas, desde a difusão dos casais de facto, que não acedem ao matrimónio e às vezes excluem esta própria ideia, até às uniões entre pessoas do mesmo sexo, às quais não raramente é permitida a adoção de filhos. Entre as numerosas novas situações que exigem a atenção e o compromisso pastoral da Igreja, será suficiente recordar: os matrimónios mistos ou inter-religiosos; a família monoparental; a poligamia; os matrimónios combinados, com a consequente problemática do dote, por vezes entendido como preço de compra da mulher; o sistema das castas; a cultura do não-comprometimento e da presumível instabilidade do vínculo; as formas de feminismo hostis à Igreja; os fenómenos migratórios e reformulação da própria ideia de família; o pluralismo relativista na noção de matrimónio; a influência dos meios de comunicação sobre a cultura popular na compreensão do matrimónio e da vida familiar; as tendências de pensamento subjacentes a propostas legislativas que desvalorizam a permanência e a fidelidade do pacto matrimonial; o difundir-se do fenómeno das mães de substituição (“barriga de aluguer”); e as novas interpretações dos direitos humanos. Mas sobretudo no âmbito mais estritamente eclesial, o enfraquecimento ou abandono da fé na sacramentalidade do matrimónio e no poder terapêutico da penitência sacramental.
A partir de tudo isto compreende-se como é urgente que a atenção do episcopado mundial, “cum et sub Petro”, enfrente estes desafios. Se, por exemplo, pensarmos unicamente no facto de que no contexto atual muitos adolescentes e jovens, nascidos de matrimónios irregulares, poderão nunca ver os seus pais aproximar-se dos sacramentos, compreenderemos como são urgentes os desafios apresentados à evangelização pela situação atual, de resto difundida em todas as partes da “aldeia global”. Esta realidade encontra uma correspondência singular no vasto acolhimento que tem, nos nossos dias, o ensinamento sobre a misericórdia divina e sobre a ternura em relação às pessoas feridas, nas periferias geográficas e existenciais: as expectativas que disto derivam, a propósito das escolhas pastorais relativas à família, são extremamente amplas. Por isso, uma reflexão do Sínodo dos Bispos a respeito destes temas parece tanto necessária e urgente quanto indispensável, como expressão de caridade dos Pastores em relação a quantos lhes são confiados e a toda a família humana.
II – A IGREJA E O EVANGELHO SOBRE A FAMÍLIA
A boa nova do amor divino deve ser proclamada a quantos vivem esta fundamental experiência humana pessoal, de casal e de comunhão aberta ao dom dos filhos, que é a comunidade familiar. A doutrina da fé sobre o matrimónio deve ser apresentada de modo comunicativo e eficaz, para ser capaz de alcançar os corações e de os transformar segundo a vontade de Deus manifestada em Cristo Jesus.
A propósito das fontes bíblicas sobre o matrimónio e a família, nesta circunstância apresentamos somente as referências essenciais. Também no que se refere aos documentos do Magistério, parece oportuno limitar-se aos documentos do Magistério universal da Igreja, integrando-os com alguns textos emanados pelo Pontifício Conselho para a Família e atribuindo aos Bispos participantes no Sínodo a tarefa de dar voz aos documentos dos seus respetivos organismos episcopais.
Em todas as épocas e nas culturas mais diversificadas nunca faltou o ensinamento claro dos Pastores, nem o testemunho concreto dos fiéis, homens e mulheres que, em circunstâncias muito diversas, viveram o Evangelho sobre a família como uma dádiva incomensurável para a sua própria vida e para a vida dos seus filhos. O compromisso a favor do próximo Sínodo Extraordinário é assumido e sustentado pelo desejo de comunicar esta mensagem a todos, com maior incisividade, esperando assim que «o tesouro da revelação confiado à Igreja encha cada vez mais os corações dos homens» (DV 26).
O projeto de Deus Criador e Redentor
A beleza da mensagem bíblica sobre a família tem a sua raiz na criação do homem e da mulher, ambos criados à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 24-31; 2, 4b-25). Ligados por um vínculo sacramental indissolúvel, os esposos vivem a beleza do amor, da paternidade, da maternidade e da dignidade suprema de participar deste modo na obra criadora de Deus.
No dom do fruto da sua união, eles assumem a responsabilidade do crescimento e da educação de outras pessoas, para o futuro do género humano. Através da procriação, o homem e a mulher realizam na fé a vocação de ser colaboradores de Deus na preservação da criação e no desenvolvimento da família humana.
O Beato João Paulo II comentou este aspecto na Familiaris consortio: «Deus criou o homem à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26 s.): chamando-o à existência por amor, chamou-o ao mesmo tempo ao amor. Deus é amor (1 Jo 4, 8) e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando-a à sua imagem e conservando-a continuamente no ser, Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação e, assim, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão (cf. “Gaudium et spes”, 12). O amor é, portanto, a fundamental e originária vocação de cada ser humano» (FC 11).
Este projeto de Deus Criador, que o pecado original deturpou (cf. Gn 3, 1-24), manifestou-se na história através das vicissitudes do povo eleito, até à plenitude dos tempos, pois mediante a encarnação o Filho de Deus não apenas confirmou a vontade divina de salvação, mas com a redenção ofereceu a graça de obedecer a esta mesma vontade.
O Filho de Deus, Palavra que se fez carne (cf. Jo 1, 14) no seio da Virgem Mãe, viveu e cresceu na família de Nazaré, e participou nas bodas de Caná, cuja festa foi por Ele enriquecida com o primeiro dos seus “sinais” (cf. Jo 2, 1-11). Ele aceitou com alegria o acolhimento familiar dos seus primeiros discípulos (cf. Mc 1, 29-31; 2, 13-17) e consolou o luto da família dos seus amigos em Betânia (cf. Lc 10, 38-42; Jo 11, 1-44).
Jesus Cristo restabeleceu a beleza do matrimónio, voltando a propor o projeto unitário de Deus, que tinha sido abandonado devido à dureza do coração humano, até mesmo no interior da tradição do povo de Israel (cf. Mt 5, 31-32; 19.3-12; Mc 10, 1-12; Lc 16, 18). Voltando à origem, Jesus ensinou a unidade e a fidelidade dos esposos, recusando o repúdio e o adultério.
Precisamente através da beleza extraordinária do amor humano – já celebrada com contornos inspirados no Cântico dos Cânticos, e do vínculo esponsal exigido e defendido por Profetas como Oseias (cf. Os 1, 2-3,3) e Malaquias (cf. Ml 2, 13-16) – Jesus confirmou a dignidade originária do amor entre o homem e a mulher.
O ensinamento da Igreja sobre a família
Também na comunidade cristã primitiva a família se manifestava como “Igreja doméstica” (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1655): nos chamados “códigos familiares” das Cartas apostólicas neotestamentárias, a grande família do mundo antigo é identificada como o lugar da solidariedade mais profunda entre esposas e maridos, entre pais e filhos, entre ricos e pobres (cf. Ef 5, 21-6, 9; Cl 3, 18-4, 1; 1 Tm 2, 8-15; Tt 2, 1-10; 1 Pd 2, 13-3, 7; cf., além disso, também a Carta a Filémon). Em particular, a Carta aos Efésios identificou no amor nupcial entre o homem e a mulher «o grande mistério», que torna presente no mundo o amor de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5, 31-32).
Ao longo dos séculos, sobretudo na época moderna até aos nossos dias, a Igreja não fez faltar um seu ensinamento constante e crescente sobre a família e sobre o matrimónio que a fundamenta. Uma das expressões mais excelsas foi a proposta do Concílio Ecuménico Vaticano II, na Constituição pastoral Gaudium et spes que, abordando algumas problemáticas mais urgentes, dedica um capítulo inteiro à promoção da dignidade do matrimónio e da família, como sobressai na descrição do seu valor para a constituição da sociedade: «A família – na qual se congregam as diferentes gerações que reciprocamente se ajudam a alcançar uma sabedoria mais plena e a conciliar os direitos pessoais com as outras exigências da vida social – constitui assim o fundamento da sociedade» (GS 52). Particularmente intenso é o apelo a uma espiritualidade cristocêntrica dirigida aos esposos crentes: «Os próprios esposos, feitos à imagem de Deus e estabelecidos numa ordem verdadeiramente pessoal, estejam unidos em comunhão de afeto e de pensamento e com mútua santidade, de modo que, seguindo a Cristo, princípio da vida, se tornem pela fidelidade do seu amor, através das alegrias e dos sacrifícios da sua vocação, testemunhas daquele mistério de amor que Deus revelou ao mundo com a sua morte e a sua ressurreição» (GS 52).
Também os Sucessores de Pedro, depois do Concílio Vaticano II, enriqueceram mediante o seu Magistério a doutrina sobre o matrimónio e a família, de modo especial Paulo VI com a Encíclica Humanae vitae, que oferece ensinamentos específicos a níveis de princípio e de prática. Sucessivamente, o Papa João Paulo II, na Exortação Apostólica Familiaris consortio, quis insistir na proposta do desígnio divino acerca da verdade originária do amor esponsal e familiar: «O “lugar” único, que torna possível esta doação segundo a sua verdade total, é o matrimónio, ou seja o pacto de amor conjugal ou escolha consciente e livre, com a qual o homem e a mulher recebem a comunidade íntima de vida e de amor, querida pelo próprio Deus (cf. Gaudium et spes, 48), que só a esta luz manifesta o seu verdadeiro significado. A instituição matrimonial não é uma ingerência indevida da sociedade ou da autoridade, nem a imposição extrínseca de uma forma, mas uma exigência interior do pacto de amor conjugal que publicamente se afirma como único e exclusivo, para que seja vivida assim a plena fidelidade ao desígnio de Deus Criador. Longe de mortificar a liberdade da pessoa, esta fidelidade põe-na em segurança em relação ao subjetivismo e relativismo, tornando-a participante da Sabedoria criadora» (FC 11).
O Catecismo da Igreja Católica reúne estes dados fundamentais: «A aliança matrimonial, pela qual um homem e uma mulher constituem entre si uma comunidade íntima de vida e de amor; foi fundada e dotada das suas leis próprias pelo Criador: pela sua natureza, ordena-se ao bem dos cônjuges, bem como à procriação e educação dos filhos. Entre os batizados, foi elevada por Cristo Senhor à dignidade de sacramento [cf. Concílio Ecuménico Vaticano II, Gaudium et spes, 48; Código de Direito Canónico, cân. 1055 § 1]» (CCC, n. 1660).
A doutrina exposta no Catecismo refere-se tanto aos princípios teológicos como aos comportamentos morais, abordados sob dois títulos distintos: O sacramento do matrimónio (nn. 1601-1658) e O sexto mandamento (nn. 2331-2391). Uma leitura atenta destas partes do Catecismo oferece uma compreensão atualizada da doutrina da fé, em benefício da atividade da Igreja diante dos desafios contemporâneos. A sua pastoral encontra inspiração na verdade do matrimónio visto no desígnio de Deus, que criou varão e mulher, e na plenitude dos tempos revelou em Jesus também a plenitude do amor esponsal, elevado a sacramento. O matrimónio cristão, fundamentado sobre o consenso, é dotado também de efeitos próprios, e no entanto a tarefa dos cônjuges não é subtraída ao regime do pecado (cf. Gn 3, 1-24), que pode provocar feridas profundas e até ofensas contra a própria dignidade do sacramento.
«O primeiro âmbito da cidade dos homens iluminado pela fé é a família; penso, antes de mais nada, na união estável do homem e da mulher no matrimónio. Tal união nasce do seu amor, sinal e presença do amor de Deus, nasce do reconhecimento e aceitação do bem que é a diferença sexual, em virtude da qual os cônjuges se podem unir numa só carne (cf. Gn 2, 24) e são capazes de gerar uma nova vida, manifestação da bondade do Criador, da sua sabedoria e do seu desígnio de amor. Fundados sobre este amor, homem e mulher podem prometer-se amor mútuo com um gesto que compromete a vida inteira e que lembra muitos traços da fé: prometer um amor que dure para sempre é possível quando se descobre um desígnio maior que os próprios projetos, que nos sustenta e permite doar o futuro inteiro à pessoa amada» (LF 52). «A fé não é um refúgio para gente sem coragem, mas a dilatação da vida: faz descobrir um grande chamamento – a vocação ao amor – e assegura que este amor é fiável, que vale a pena entregar-se a ele, porque o seu fundamento se encontra na fidelidade de Deus, que é mais forte do que toda a nossa fragilidade» (LF 53).
III – QUESTIONÁRIO
As seguintes perguntas permitem às Igrejas particulares participar ativamente na preparação do Sínodo Extraordinário, que tem a finalidade de anunciar o Evangelho nos atuais desafios pastorais a respeito da família.
1. Sobre a difusão da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja a propósito da família
a) Qual é o conhecimento real dos ensinamentos da Bíblia, da “Gaudium et spes”, da “Familiaris consortio” e de outros documentos do Magistério pósconciliar sobre o valor da família segundo a Igreja católica? Como os nossos fiéis são formados para a vida familiar, em conformidade com o ensinamento da Igreja?
b) Onde é conhecido, o ensinamento da Igreja é aceite integralmente. Verificam-se dificuldades na hora de o pôr em prática? Se sim, quais?
c) Como o ensinamento da Igreja é difundido no contexto dos programas pastorais nos planos nacional, diocesano e paroquial? Que tipo de catequese sobre a família é promovida?
d) Em que medida – e em particular sob que aspetos – este ensinamento é realmente conhecido, aceite, rejeitado e/ou criticado nos ambientes extraeclesiais? Quais são os fatores culturais que impedem a plena aceitação do ensinamento da Igreja sobre a família?
2. Sobre o matrimónio segundo a lei natural
a) Que lugar ocupa o conceito de lei natural na cultura civil, quer nos planos institucional, educativo e académico, quer a nível popular? Que visões da antropologia estão subjacentes a este debate sobre o fundamento natural da família?
b) O conceito de lei natural em relação à união entre o homem e a mulher é geralmente aceite, enquanto tal, por parte dos batizados?
c) Como é contestada, na prática e na teoria, a lei natural sobre a união entre o homem e a mulher, em vista da formação de uma família? Como é proposta e aprofundada nos organismos civis e eclesiais?
d) Quando a celebração do matrimónio é pedida por batizados não praticantes, ou que se declaram não-crentes, como enfrentar os desafios pastorais que daí derivam?
3. A pastoral da família no contexto da evangelização
a) Quais foram as experiências que surgiram nas últimas décadas em ordem à preparação para o matrimónio? Como se procurou estimular a tarefa de evangelização dos esposos e da família? De que modo promover a consciência da família como “Igreja doméstica”?
b) Conseguiu-se propor estilos de oração em família, capazes de resistir à complexidade da vida e da cultural contemporânea?
c) Na atual situação de crise entre as gerações, como as famílias cristãs souberam realizar a própria vocação de transmissão da fé?
d) De que modo as Igrejas locais e os movimentos de espiritualidade familiar souberam criar percursos exemplares?
e) Qual é a contribuição específica que casais e famílias conseguiram oferecer, em ordem à difusão de uma visão integral do casal e da família cristã, hoje credível?
f) Que atenção pastoral a Igreja mostrou para sustentar o caminho dos casais em formação e dos casais em crise?
4. Sobre a pastoral para enfrentar algumas situações matrimoniais difíceis
a) A convivência ad experimentum é uma realidade pastoral relevante na Igreja particular? Em que percentagem se poderia calculá-la numericamente?
b) Existem uniões livres de facto, sem o reconhecimento religioso nem civil? Dispõem-se de dados estatísticos confiáveis?
c) Os separados e os divorciados recasados constituem uma realidade pastoral relevante na Igreja particular? Em que percentagem se poderia calculá-los numericamente? Como se enfrenta esta realidade, através de programas pastorais adequados?
d) Em todos estes casos: como vivem os batizados a sua irregularidade? Estão conscientes da mesma? Simplesmente manifestam indiferença? Sentem-se marginalizados e vivem com sofrimento a impossibilidade de receber os sacramentos?
e) Quais são os pedidos que as pessoas separadas e divorciadas dirigem à Igreja, a propósito dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação? Entre as pessoas que se encontram em tais situações, quantas pedem estes sacramentos?
f) A simplificação da práxis canónica em ordem ao reconhecimento da declaração de nulidade do vínculo matrimonial poderia oferecer uma contribuição positiva real para a solução das problemáticas das pessoas interessadas? Se sim, de que forma?
g) Existe uma pastoral para ir ao encontro destes casos? Como se realiza esta atividade pastoral? Existem programas a este propósito, nos planos nacional e diocesano? Como a misericórdia de Deus é anunciada a separados e divorciados recasados e como se põe em prática a ajuda da Igreja para o seu caminho de fé?
5. Sobre as uniões de pessoas do mesmo sexo
a) Existe no vosso país uma lei civil de reconhecimento das uniões de pessoas do mesmo sexo, equiparadas de alguma forma ao matrimónio?
b) Qual é a atitude das Igrejas particulares e locais, quer diante do Estado civil promotor de uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, quer perante as pessoas envolvidas neste tipo de união?
c) Que atenção pastoral é possível prestar às pessoas que escolheram viver em conformidade com este tipo de união?
d) No caso de uniões de pessoas do mesmo sexo que adotaram crianças, como é necessário comportar-se pastoralmente, em vista da transmissão da fé?
6. Sobre a educação dos filhos no contexto das situações de matrimónios irregulares
a) Qual é nestes casos a proporção aproximativa de crianças e adolescentes, em relação às crianças nascidas e educadas em famílias regularmente constituídas?
b) Com que atitude os pais se dirigem à Igreja? O que pedem? Somente os sacramentos, ou inclusive a catequese e o ensino da religião em geral?
c) Como as Igrejas particulares vão ao encontro da necessidade dos pais destas crianças, de oferecer uma educação cristã aos próprios filhos?
d) Como se realiza a prática sacramental em tais casos: a preparação, a administração do sacramento e o acompanhamento?
7. Sobre a abertura dos esposos à vida
a) Qual é o conhecimento real que os cristãos têm da doutrina da Humanae vitae a respeito da paternidade responsável? Que consciência têm da avaliação moral dos diferentes métodos de regulação dos nascimentos? Que aprofundamentos poderiam ser sugeridos a respeito desta matéria, sob o ponto de vista pastoral?
b) Esta doutrina moral é aceite? Quais são os aspetos mais problemáticos que tornam difícil a sua aceitação para a grande maioria dos casais?
c) Que métodos naturais são promovidos por parte das Igrejas particulares, para ajudar os cônjuges a pôr em prática a doutrina da Humanae vitae?
d) Qual é a experiência relativa a este tema na prática do sacramento da penitência e na participação na Eucaristia?
e) Quais são, a este propósito, os contrastes que se salientam entre a doutrina da Igreja e a educação civil?
f) Como promover uma mentalidade mais aberta à natalidade? Como favorecer o aumento dos nascimentos?
8. Sobre a relação entre a família e a pessoa
a) Jesus Cristo revela o mistério e a vocação do homem: a família é um lugar privilegiado para que isto aconteça?
b) Que situações críticas da família no mundo contemporâneo podem tornar-se um obstáculo para o encontro da pessoa com Cristo?
c) Em que medida as crises de fé, pelas quais as pessoas podem atravessar, incidem sobre a vida familiar?
9. Outros desafios e propostas
Existem outros desafios e propostas a respeito dos temas abordados neste questionário, sentidos como urgentes ou úteis por parte dos destinatários?
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