domingo, 27 de novembro de 2016

MENSAGEM DE ADVENTO E NATAL DO SENHOR BISPO DE VILA REAL

Mensagem Advento e Natal, para receber em casa o Filho de Deus

Caros Diocesanos, Padres, Religiosos e Fiéis:

Está perto o Advento e o Natal do Filho de Deus feito homem, sendo convidados, por Ele, a deixá-lo entrar, em nós, para, com Ele e com todos, partilharmos a alegria da Sua vinda e da promessa que nos fez e a Sua última vinda nos há-de dar. O presépio, com a grada Família, os Pastores e os Magos, evoca o gesto amoroso de Deus, que veio, quer viver e entrar nos corações e convida a abrir a porta, a unir, a praticar a inclusão, sem discriminações, muros e rejeições. O Natal congrega, no amor, na fé e na esperança.  

1.- Quando Jesus nasceu, em Belém, não havia lugar, na hospedaria, mas Jesus aceitou a hospedagem de quem O convidou, rico ou pobre, fariseu, santo, pecador ou colector de impostos, sem excluir ninguém, apostando no amor fiel e universal, na inclusão, no diálogo e convite a todos. Deus está sempre antes e acima, é sempre prévio, intervém primeiro. O amor de Deus precede-nos. O Filho encarnado, desceu dos céus, por causa de nós homens e para nossa salvação e é Palavra à espera de ser recebida e posta em prática, pois, Deus não rejeita ninguém, conta connosco e espera resposta.
Dentro em pouco, estaremos a armar o Presépio em casa e na Igreja, evocando a vinda de Jesus, que nasceu, em Belém, e que, hoje, no tempo da Igreja, que é o nosso e nos é dado viver, bate à porta do coração de cada um e quer entrar. Ouvíamos, há dias, falar da passagem de Jesus, por Jericó, a caminho de Jerusalém, onde se entregou à morte, por amor. Era o relato caricato do homem pequeno, terrivelmente odiado, que subia à árvore, para ver Jesus, que o convidou a descer, porque queria ser seu hóspede. Para a opinião pública judaica, ele era pecador, por ser chefe de colectores de impostos, por ajudar o imperador romano, e, por isso, não merecia nada, não tinha perdão. Zaqueu, porém, recebe Jesus, com alegria, converte-se e é magnânimo dando metade dos bens aos pobres, repartindo e restituindo quatro vezes mais. A sua conversão mostra o que a graça de Deus e a presença de Jesus, é capaz de operar. A salvação entrou em casa de Zaqueu. Jesus conquistou o seu coração e a família do colector de impostos, que acreditou, dando mais que os outros, como a pobre viúva. Ninguém é excluído. Deus chama e quer a salvação dos que crêem e recebem a Palavra de Deus, para serem salvos. Antes do maravilhoso encontro com Jesus, havia, em Zaqueu e, bem assim, nos pecadores e afastados, que viviam sem Deus e sem alegria, distanciamento, vergonha e rejeição, agora, há alegria, magnanimidade, fé, empenho, esperança e razão de viver.
Neste Ano Pastoral, devíamos ter consciência da importância da Família e de Jesus que ilumina, alegra e dá sentido à existência humana. A Igreja de Cristo é família alargada dos filhos de Deus, que é comunhão de crentes, como Maria Santíssima que acredita e obedece e como os discípulos do Ressuscitado que O viram e receberam o Espírito. A Igreja, comunhão de crentes e inundada pelo Espírito do Ressuscitado, como no início, continua a reunir-se, nas casas, para voltar às casas, onde Cristo bate à porta, para que alguém lhe abra, desejando ser recebido, como Zaqueu O recebeu alegre em sua casa. Como dizem os Actos dos Apóstolos, a Igreja Mãe de Jerusalém e a Igreja, no início, reunia-se nas casas, onde os cristãos celebravam a fé, perseveravam na oração e no ensino dos Apóstolos, repartindo os dons e Jesus Eucaristia, tendo um só coração e uma só alma. Não havia outros espaços para a celebração, o anúncio e testemunho vivencial e fraterno da fé e da esperança cristã além da casa, onde as pessoas vivem, para Deus tocar os corações e dizer: deixa-me entrar, pois, quero alojar-me em teu coração e cear, habitar e ser feliz contigo.   

2. - Termina o Ano Litúrgico e o Ano Jubilar da Misericórdia e iniciamos um novo ano de celebração do mistério da salvação, com o Ciclo da Encarnação, que inicia com o Advento e tem o centro na Solenidade do Natal do Filho de Deus, que Se fez Filho do Homem, nascido da Virgem por virtude do Espírito Santo. O Ano Litúrgico compõe-se de três Ciclos, cada um com uma festa: o Ciclo da Encarnação, com o Natal, o Ciclo da Redenção, com a Páscoa, e o Ciclo da Igreja, inundada e habitada pelo Espírito Santo, que recebe a sua força, impulso e missão, na Festa do Pentecostes, que deu lugar ao nascimento e missão da Igreja. A Igreja peregrina, na fé e na esperança, vive o tempo intermédio, entre a primeira vinda do Filho de Deus, na carne, e a Sua Vinda gloriosa, para transformar o nosso corpo mortal à imagem do Seu Corpo glorioso.

3. A fé na encarnação, morte e ressurreição do Filho de Deus e na vinda do Espírito Santo deve levar-nos a redobrado empenho missionário, a não calarmos o que vimos e ouvimos e a não nos envergonharmos de Jesus Cristo e do Seu Evangelho, suportando, com constância e fidelidade, todos os reveses, perseguições e contra-tempos. Como os Pastores, os Magos e a Mãe de Deus, ao receber a Mensagem do Anjo, deixemo-nos inundar da alegria da Boa Nova, que a Vinda de Jesus traz, e comuniquemos a alegria a outros, fazendo o bem, praticando a justiça, sendo misericordiosos e perdoando, para obter de Deus a misericórdia e o perdão, dado que somos necessitados e pecadores. 
Desejo-vos, Irmãos e Irmãs, um Santo Advento e Feliz Natal, pedindo a Deus que Vos encha de dons e vos faça testemunhas do Seu amor e solidários com os fracos, pobres e doentes, na Igreja, serva e pobre, chamada a ser, em Cristo, rosto de misericórdia e sacramento universal de salvação, na família humana dos filhos de Deus.
Com afecto, Vos saúdo e peço, para Vós, a bênção de Deus Pai Filho e Espírito Santo.


+ Amândio José Tomás, bispo de Vila Real.